Um em cada cinco estudantes não tem computador em casa e por isso “dificilmente se conseguirá pedir a todos os alunos trabalhos que impliquem a necessidade de um computador”, revela um estudo realizado esta semana por Arlindo Ferreira, especialista em Estatísticas da Educação, que foi publicado na terça-feira no blog do Arlindo.

Esta é esta realidade que não escapa a quem trabalha diariamente nas escolas. Os dois presidente das associações de diretores escolares – Filinto Lima (ANDAEP) e Manuel Pereira (ANDE) - alertaram desde o início para o impacto das desigualdades sociais nas aulas à distância. 

Recomendações da DGS

A DGS acompanha a situação da expansão do novo coronavírus e recomenda:

  • Em Portugal, caso apresente sintomas de doença respiratória e tenha viajado de uma área afetada pelo novo coronavírus, as autoridades aconselham a que contacte a Saúde 24 (808 24 24 24). Caso se dirija a uma unidade de saúde deve informar de imediato o segurança ou o administrativo.
  • Evitar o contacto próximo com pessoas que sofram de infeções respiratórias agudas; evitar o contacto próximo com quem tem febre ou tosse;
  • Lavar frequentemente as mãos, especialmente após contacto direto com pessoas doentes, com detergente, sabão ou soluções à base de álcool;
  • Lavar as mãos sempre que se assoar, espirrar ou tossir;
  • Evitar o contacto direito com animais vivos em mercados de áreas afetadas por surtos;
  • Adotar medidas de etiqueta respiratória: tapar o nariz e boca quando espirrar ou tossir (com lenço de papel ou com o braço, nunca com as mãos; deitar o lenço de papel no lixo);
  • Evitar o consumo de produtos de animais crus, sobretudo carne e ovos;
  • Seguir as recomendações das autoridades de saúde do país onde se encontra.

Também o representante dos pais e encarregados de educação salientou as diferenças entre famílias. “Há sempre desigualdades entre os alunos: uns têm chalés e outros têm casebres”, lamentou Jorge Ascenção, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), em declarações à Lusa.

Sem computadores, há quem esteja a acompanhar as aulas pelos telemóveis ou ‘tablets’. Mas para isso é preciso Internet e nem todos a têm no lar.

No ano passado, 80,9% dos agregados familiares tinham acesso a internet em casa. Nas famílias com filhos até aos 15 anos a percentagem subia para 94,5%. Ou seja, mais de 5% dos estudantes com menos de 15 anos viviam em casas sem Internet, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE).

O problema também atinge os alunos do ensino superior. O presidente do Sindicato Nacional de Ensino Superior (SNESup), Gonçalo Leite Velho, lembrou que “há muitos alunos que têm dificuldades de acesso à Internet”.

Os dados do INE indicam que entre os estudantes com mais de 16 anos é raro encontrar quem não tenha Internet: são 0,4%. “Basta haver um aluno para ser razão para nos preocuparmos”, defendeu recentemente em declarações à Lusa o presidente da ANDAEP, Filinto Lima.

Gonçalo Leite Velho lembrou que também há problemas nas famílias onde há equipamentos. Neste momento estão todos em casa, alguns em teletrabalho, e pode tornar-se difícil gerir quem tem prioridade no seu uso: os filhos que estão em aulas ou os pais que estão a trabalhar?

A Lusa contactou cerca de duas dezenas de famílias com filhos do pré-escolar ao ensino superior e a maioria disse ter equipamentos para todos.

Entre os pais que se aperceberam que teriam de partilhar computadores, começam a inventar-se soluções, como definir horários de uso.

“Temos dois computadores em casa, sendo que um deles é o meu que preciso para trabalhar. Se tiverem de fazer buscas será cada uma no seu horário”, contou à Lusa a mãe de duas adolescentes de escolas de Lisboa.

Trabalhar em casa com a família pode ser complicado para todos: alunos e pais. “O ambiente é muito diferente de uma escola. Há mais confusão”, alertou Gonçalo Leite Velho.

As aulas à distância exigem um conhecimento e uma técnica por parte dos professores que é muito diferente das aulas presenciais.

“Já quando estão na escola é, por vezes, difícil manterem-se concentrados, imaginemos agora em casa”, disse Gonçalo Leite Velho.

O inquérito realizado pelo professor Arlindo Ferreira mostra que 11,6% dos pais não tem disponibilidade para acompanhar o filho pelo menos uma vez por dia nos estudos.

Do lado dos adultos, trabalhar de casa também “é muito mais “difícil porque é preciso conjugar a atenção dada ao trabalho e aos filhos, lembrou o presidente do SNESup.

O docente do ensino superior lembrou que, neste momento, há muitos professores em casa, com filhos pequenos, a tentar dar aulas a outras crianças.

Apesar dos problemas já detetados, todos são unânimes em considerar que o ensino à distância é, neste momento, a melhor solução.

O coronavírus responsável pela pandemia da Covid-19 infetou mais de 200 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 8.200 morreram.

Das pessoas infetadas, mais de 82.500 recuperaram da doença.

O novo cornavírus já matou duas pessoas em Portugal e infetou 642, segundo os dados mais recentes da DGS.

Há 89 doentes internados e 553 a recuperar em casa.

Segundo a DGS, em 4.074 casos o teste deu negativo e há 351 casos a aguardar resultado laboratorial.

O boletim epidemiológico diário indica ainda que desde o dia 01 de janeiro foram registados 5.067 casos suspeitos.

Estão em vigilância pelas autoridades de saúde 6.656 (menos 196) contactos e o número de cadeias de transmissão ativas subiu para 24 (eram 19).

Acompanhe aqui, ao minuto, todas as informações sobre o novo coronavírus em Portugal e no mundo.

Coronavírus: qual a origem?

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