Vale a pena tratar a psoríase no estrangeiro?

Cerca de 300.000 portugueses sofrem da doença mas nem todos podem viajar para a tratar. Conheça a opinião de um dermatologista sobre as opções terapêuticas existentes em Portugal e lá fora

Há quem (ainda) tenha a ideia de que no estrangeiro é que se encontra a cura para (quase) todas as doenças. Mas será mesmo assim? Que tratamentos existem no estrangeiro para tratar a psoríase? Será que vale a pena fazer a viagem?  E, em Portugal, que soluções existem e qual a sua eficácia? Com a bagagem cheia de perguntas, partimos para a conversa com o dermatologista Fernando Guerra, que nos deu a sua opinião especializada sobre as vantagens e desvantagens de tratar a psoríase em Portugal ou num país estrangeiro.

Os famosos peixes da Turquia

É conhecido em todo o mundo o tratamento para a psoríase, uma doença crónica da pele, realizado nas Termas de Kandal, na Turquia, com recurso a pequenos peixes (garra-rufa) que comem as escamas da pele. Também o Mar Morto foi procurado durante anos, por muitas pessoas, com o mesmo objetivo. Trata-se de «um mar elevado, o que significa que tem menos filtragem de atmosfera, havendo por isso mais raios UVB, maior densidade de sal e reflexo», conta Fernando Guerra, dermatologista.

Já em Cuba, são famosos os tratamentos feitos à base de melagenina, um estrato hidroalcoólico de placenta humana, seguido da aplicação de infravermelhos. «Começaram por ser usados em casos de vitiligo e depois estenderam-se ao tratamento de eczemas e psoríase», esclarece o especialista. Em Portugal, o enxofre das águas sulfurosas das termas promove a melhoria de algumas doenças de pele, entre elas a psoríase.

Vale a pena procurar uma solução no estrangeiro?

Na opinião do dermatologista, apesar da muita publicidade, o tratamento realizado na Turquia não é benéfico. «Ao arrancar as escamas, a pele é agredida, podendo vir a formar-se nessa zona uma nova lesão», adverte. «Há descamação mas, por baixo, ficam as lesões. Por isso, não cura a doença», avisa ainda.

Quanto aos tratamentos realizados em Cuba, «são raras as situações em que dão resultado», alerta. «Se as pessoas quiserem voltar a comprar a substância são obrigadas a regressar a Cuba. Do Mar Morto fala-se pouco atualmente devido aos frequentes conflitos, mas as suas propriedades ajudam a melhorar a psoríase», acredita o dermatologista.

Listas de espera
Segundo João Carlos Cunha, ex-presidente da PSO Portugal, Associação Portuguesa da Psoríase, «os tratamentos disponíveis, na esmagadora maioria dos hospitais, passam pelos biológicos e realizados com raios UVA». Sobre os tratamentos biológicos, João Carlos Cunha refere que «dada a sua relativa inovação e consequente falta de experiência de alguns clínicos, há alguns casos em que dermatologistas não os incluem no leque de tratamentos disponíveis».

Apesar de não possuir dados sobre o tempo de espera para os tratamentos desta patologia nos hospitais públicos na altura em que foi entrevistado, João Carlos Cunha não deixa de comentar. «Pelos relatos que temos, sabemos que o tempo de espera para as consultas de dermatologia, na esmagadora maioria dos hospitais, não ultrapassa os 30 dias. É de assinalar o facto de alguns hospitais já terem, dentro da especialidade de dermatologia, uma consulta específica da psoríase», refere ainda.

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