Os bebés e a televisão

O uso excessivo da televisão pode comprometer a capacidade do bebé para explorar o ambiente, comunicar, aprender a brincar e distrair-se sozinho, e em acalmar-se de forma autónoma.

Por Ana Amaro Trindade, Psicóloga Clínica
Carolina N. Albino, Especialista em Ritmos de Sono do Bebé

 

 

Os bebés têm uma necessidade muito grande de interação. É esta que permite um saudável desenvolvimento. Como as cores, os movimentos animados e os sons da televisão captam facilmente a atenção dos bebés, muitas vezes os pais (ou até educadoras nas creches - cerca de 73% das crianças vê televisão na creche, segundo a Deco) usam-nas como “babysitters”.

 

A utilização excessiva da televisão pode comprometer a capacidade do bebé em explorar o ambiente, comunicar, aprender a distrair-se sozinho, acalmar-se de forma autónoma, e aprender a brincar – o que mais tarde pode comprometer o desenvolvimento da capacidade simbólica, fundamental para a saúde mental da criança.

 

A televisão é uma fonte de hiperestimulação desajustada para os bebés, não só por alguns conteúdos mas principalmente pelos seus ritmos bem mais acelerados e estimulantes que o ritmo da vida real. O seu uso pode deixar o bebé agitado pela quantidade de informação que o seu cérebro terá de processar (pois cada imagem televisiva é constituída por um conjunto de centenas de pontos luminosos). Um bebé pequeno não consegue acompanhar a velocidade da sequência de imagens, nem os cortes constantes de luz e de som, sendo estes ansiogénicos. Os bebés avaliam a sua segurança através dos ritmos, das rotinas, da tranquilidade, assim, qualquer presença disrítmica, como a da televisão, será geradora de ansiedade, aumentando o choro e dificultando o sono.

 

Um bebé exposto à televisão em excesso poderá apresentar dificuldades em:

 

- Sentir-se seguro a brincar sozinho, requerendo atenção constante, e exigindo ser entretido continuamente - pois não aprendeu entreter-se sozinho;

 

- Desenvolver conquistas físicas próprias da sua idade sem se frustrar em pouco tempo, apresentando dificuldades em persistir numa tarefa até conseguir ter resultados;

 

- Satisfazer-se com apenas um brinquedo, tendo tendência para estar constantemente a mudar de brinquedo, explorando-os apenas de forma superficial.

 

A televisão é uma excelente fonte de entretenimento, no entanto é fundamental que as crianças possam, desde bebés, desenvolver a aptidão de entreterem-se por elas mesmas. Esta é uma variável que influencia diretamente o sono. Um bebé que não sabe estar períodos progressivamente maiores entretido por si, sentindo-se seguro, terá muito mais dificuldade em adormecer de forma autónoma.

 

Se for vista televisão imediatamente antes de ir dormir, no momento de adormecer o bebé/criança terá que lidar com o acalmar da estimulação nervosa (também ao nível da luminosidade retida na retina) e com a necessidade de processar a informação (porque o que vê são feixes de luz sem sentido, que lhe vão ocupar o cérebro e dificultar o trabalho de triagem cerebral que faz durante o sono) - o que piora a qualidade do sono, tornando-o mais agitado e com menos capacidade reparadora.

 

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