Volte a gostar de si

Aprenda a eliminar os pensamentos que destroem a sua autoestima

«De todos os julgamentos que fazemos, nenhum é tão importante quanto o que fazemos sobre nós». Helena Marques sabe bem porquê.

«A forma como nos sentimos acerca de nós mesmos afeta de modo substancial desde a maneira como agimos no trabalho, no amor e no sexo, até o modo como desempenhamos os diferentes papéis sociais e os objetivos alcançados na vida», refere.

«A autoestima é a opinião real que tenho de mim, o modo como me valorizo e respeito enquanto pessoa. E poderá ser a chave para o sucesso ou para o fracasso. Por isso, cultivar uma autoestima positiva é requisito para uma vida satisfatória e saudável», refere ainda esta psicóloga especializada em style psychology.

Perguntámos a cinco psicólogos como desconstruir pensamentos que corroem a autoestima. As respostas têm pistas para sermos genuinamente saudáveis e felizes. A investigação científica demonstra-o, indica a psicóloga Catarina de Castro Lopes. «Diversos estudos têm demonstrado que níveis mais elevados de autoestima correspondem a níveis mais elevados de bem-estar psicológico», defende.

Segundo o psicólogo Fernando Magalhães, «um estado de humor positivo favorece o sistema imunitário. É provável ficar-se menos vezes doente quando se tem uma autoestima positiva». É nesse sentido que tem de trabalhar a partir de agora para melhorar a sua autoimagem de modo a aumentar e reforçar a sua autoestima. «Aceite a imperfeição da vida e de si própria, permita-se agir no presente, ao ponto de se esquecer de avaliações», recomenda Fernando Magalhães.

«A autoestima saudável está relacionada com a capacidade de aceitarmos quem somos. Isso significa ser capaz de reconhecer pontos fortes e fracos (todos os temos) e, ao mesmo tempo, reconhecer que somos dignos de valor, não nos valorizando em função dos sucessos obtidos ou das falhas cometidas», descreve Catarina Castro Lopes. Quando as coisas não correm bem, há uma estratégia que deve experimentar.

«Em vez de atacar diretamente o seu eu, com críticas, experimente considerar apenas a experiência em si, crescer com ela», aponta Fernando Magalhães. A este exercício junte ainda a tentativa de «conseguir ser algo independente das pressões culturais, aprender a lidar com a crítica, ter um estilo de vida saudável, experienciar prazer e praticar a gratidão das pessoas ou das situações».

«Descontrolo-me com facilidade»

«Aguarde três ou quatro minutos antes de agir. Respire fundo, levante-se, movimente-se. Se ainda continuar zangada, responda de forma mais assertiva, explicando o seu ponto de vista sem ser agressiva», recomenda Fernando Magalhães, psicólogo clínico.

«Sou uma pessoa complicada. Penso demais e vivo de menos»

«Perceba o que está a acontecer, sem aprovar ou rejeitar as experiências. Permita-se sentir a liberdade de observar o que está a acontecer sem pressa para parar, mudar ou consertar a experiência. Não tente controlar o momento presente ou o que acontece em seguida. Simplesmente, viva-o. Se perceber que está em piloto automático (nos seus pensamentos, preocupações ou previsões) procure dirigir a sua atenção ao momento», defende Catarina Castro Lopes, psicóloga clínica.

Essa postura ajuda-a a focar-se nos cinco sentidos. «Pense no que está a ver, no que está a ouvir e no que está a sentir... Dedique todos os dias, dois minutos a prestar atenção a um objeto, com intenção, de forma não avaliativa», sugere ainda a especialista.

«Ter nascido homem era muito mais fácil»

«Reconheça os seus limites, respeitando as suas necessidades e tendo em conta as suas prioridades, mas assuma responsabilidades. Atribuir responsabilidade a algo externo como pensamentos como o mundo está contra mim ou se fosse homem tudo se resolvia, é uma forma de se defender, de não enfrentar as suas dificuldades», afiança Catarina Castro Lopes.

«Só nós podemos ter controlo sobre a nossa vida. Como seria responsabilizar-se pela sua? Faça uma lista das vantagens em ser mulher e outra do que gosta na sua vida, aquilo a que dá valor», propõe ainda a psicóloga clínica.

«Nunca senti que era especial»

«Temos limitações, virtualidades e podemos sempre melhorar, mas ser pessoa significa, por si só, ter um valor infinito. É possível sentirmo-nos especiais entre quem tem muito mais palco, o problema é que achamos que fazer algo marcante significa fazer algo único, quando os nossos pequenos nadas são muito importantes e é de pequenos nadas que o mundo vive», sublinha Alcina Rosa, psicóloga clínica.

«Não tem tanto a ver com a tarefa em si mas a forma como nos relacionamos com ela, o empenho e o significado que lhe atribuímos, o bem que nos faz sentir por sermos competentes e empenhados a executá-la e se isso também torna os outros felizes», acrescenta a especialista.

«Para fugir ao conflito, evito afirmar-me, mesmo quando tenho razão»

A capacidade de defender aquilo em que acreditamos é basilar. Catarina Castro Lopes, psicóloga clínica, ensina a treiná-la. «Tente perceber que pensamentos e emoções a impedem de expressar aquilo que quer. Seja genuína e objetiva», defende. «Treine. Feche os olhos e imagine-se a comunicar da forma que quer. Imagine o tom de voz, o volume, o ritmo a que fala, a sua postura, a expressão facial e gestos», realça.

«Perceba o que sente durante o exercício. Foi capaz de imaginar? Experimente agir da mesma forma», prossegue. «Expresse sentimentos e crenças de forma direta, clara, honesta e apropriada. Sem agressividade, discorde abertamente e manifeste os seus interesses», acrescenta. «Procurar ajuda da psicoterapia pode ajudar a perceber a origem e as causas dos medos, a desenvolver a autoestima e treinar a assertividade», conclui.

«Não gosto de me ver ao espelho»

«Objetivos de beleza irrealistas», influenciados pelo contexto social, «potenciam uma miopia em relação ao próprio corpo e, logo, frustração face à identidade corporal», descreve Helena Marques. A experiência de Célia Francisco, enquanto psicóloga clínica especialista em gestão do peso, tem vindo a demonstrar que, embora o excesso de peso mine, quase sempre, o amor-próprio e ainda que, quando se emagrece, ele tenda a reconstruir-se com vigor, «ter um corpo magro não é condição direta para uma autoestima elevada».

«Algumas mulheres com excesso de peso são mais seguras do que modelos lindas. Porquê? Cresceram ou vivem em ambientes que reforçam as suas características pessoais em detrimento de um número de roupa. Mulheres obcecadas com o corpo, mesmo magras, na generalidade, são pessoas mais perfeccionistas com os detalhes», refere Célia Francisco.

«Poderão passar a vida sem gostarem do corpo, porque na base de tudo está uma baixa autoestima e, em vez de reforçarem os aspetos positivos, focam-se nos negativos (no que gostariam de mudar no seu corpo)», acrescenta ainda a especialista. Mude esta forma de olhar para si.

«Não gosto do meu corpo»

«Analise objetivamente o que não gosta, faça uma lista de aspetos que gostaria que fossem diferentes e identifique o que pode mudar. Estabeleça pequenas metas, começando pelas mais tangíveis até às menos exequíveis e defina um timing. Faça também uma lista dos aspetos que mais aprecia, aceite o que não pode mudar e os seus defeitos e veja a beleza no que tem de único. Se não conseguir superar o problema sozinha, procure ajuda. A psicoterapia ou o coaching (Style Psychology) poderão ajudar», afirma Helena Marques, psicóloga clinica.

«É difícil ver-me envelhecer»

«Aceite as rugas, encare-as como vivências. Tal como acontece quando tiramos fotografias, a personalidade também tem um ângulo melhor. Tire uma foto de si mesma sem que os defeitos fiquem em evidência», sugere mesmo Helena Marques, psicóloga clinica, que deixa ainda uma outra sugestão.

«Relembre as lições de vida que aprendeu, as amizades que conquistou, os ensinamentos que cedeu, os objectivos que alcançou. Desenvolva ou retome hobbies. Disfarce as rugas de que menos gosta (avalie a possibilidade de usar franja ou maquilhagem iluminadora, por exemplo)», defende a especialista.

«Nada me fica bem»

«Não está a escolher as peças adequadas ao seu biótipo de corpo, estatura e estilo pessoal,
informe-se. Pesquise em blogs, revistas e sites. Procure aconselhar-se com uma consultora de imagem. Aceite elogios e retribua. Observe e identifique, no mínimo, três aspetos que aprecia em si e tenha coragem de por em prática o que deseja, por exemplo comprar uma peça que seria improvável usar. Inicie actividades que sempre quis experimentar», avança Helena Marques, psicóloga clínica.

«Sempre achei que as minhas amigas eram mais bonitas»

«A comparação radica em sentimentos de inferioridade e alimenta uma baixa autoestima. Ao estabelecer comparações estamos a focar os pontos fortes dos outros e não os nossos. É uma batalha perdida. Compreenda o que quer atingir ou obter, do que é capaz e o que tem de melhorar ou mudar para alcançar os seus objetivos», aponta Helena Marques, psicóloga clínica.

«O meu peso faz-me infeliz»

Atitudes positivas modificam pensamentos negativos. «Permitem-nos controlar algo que nos parecia incontrolável, o peso», defende Célia Francisco, psicóloga clínica. «Escreva o que a fez engordar para fechar o ciclo do elemento que lhe retirou o equilíbrio pessoal (por exemplo, comer à noite de forma compulsiva)», recomenda. Este está, contudo, longe de ser o único comportamento a adotar.

«Anote o que o peso a impede de fazer (por exemplo, ir à praia), o que já fez para solucionar a situação e o resultado. Comece por pequenas mudanças (ir a uma praia isolada) e vá aumentando a dificuldade (até dar um mergulho)», sugere ainda. «Pense que tem um ano para pequenas mudanças pessoais. Vamos ver» deve dominar o seu pensamento em vez de pensar que perder peso é muito difícil», avisa.

«Situações abertas e positivas ajudam a contrariar a ansiedade», assegura. «Procure um nutricionista, mas dê a si mesma tempo para emagrecer (seis meses para uma perda de cinco a seis quilos e 12 meses se for mais de dez quilos)», sugere. «E faça exercício ( 45 minutos de caminhada) ou
inscreva-se num ginásio. Pese-se de 15 em 15 dias. Selecione uma peça que adorava mas que deixou de lhe servir. Pendure-a na porta do roupeiro e vá experimentando de 15 em 15 dias», aconselha ainda.

A beleza que vem de dentro

Sentir-se bonita também depende do que projeta mentalmente sobre si. Ponha em prática os conselhos da psicóloga Helena Marques:

- Feche os olhos

«Imagine a pessoa que deseja tornar-se, como gostaria de agir, de se sentir e como os outros a percecionam. No final, memorize as atitudes e sensações que imaginou», sugere a especialista.

- Viva o agora

«Aprecie o presente e não fique presa às emoções do passado ou na ansiedade de viver o futuro. Realize atividades que lhe dão prazer e gratificação», recomenda.

- Faça um exercício

«Controle a voz crítica interior. Culpabilizar-se pela conduta do passado não irá criar mudança. Reflita e aprenda com as situações, mantendo um diálogo interno congruente», defende a psicóloga.

Texto: Nazaré Tocha com Alcina Rosa, Catarina Castro Lopes, Célia Francisco, Fernando Magalhães e Helena Marques (psicólogos clínicos)

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