O poder curativo do sol

A falta de exposição à luz natural está a agravar a carência de vitamina D nas populações. O resultado é o aumento de diversas doenças, que podem ser evitadas com exposição solar moderada.

Quem não se apercebeu de que fica depressivo nos dias cinzentos e que precisa de sol para voltar a sentir-se bem-disposto? Quantas vezes não nos queixamos do tempo que falta para as férias na praia e que nos sentimos muito melhor quando estamos ao sol? Pois, não pense que este bom humor tem apenas a ver com o dolce fare niente, pois há evidências científicas que abrem portas à profunda relação entre o sol, a nossa saúde e o nosso bem-estar.

Um estudo apresentado recentemente em Houston, nos Estados Unidos da América (EUA), na reunião anual da Endocrine Society, dedicado a analisar o efeito da vitamina D no tratamento da depressão, concluiu que «a vitamina D pode ter um efeito ainda não comprovado sobre o humor e a sua deficiência pode aumentar a depressão». Um problema que se tem vindo a agravar, sobretudo na Europa e nos EUA.

«Se esta associação for comprovada, podemos melhorar o tratamento da depressão», refere mesmo Sonal Pathak, endocronologista do BayHealth Medical Center, em Dover, nos EUA. Uma informação que está em consonância com as teorias que defendem que evitar totalmente o sol também não é bom.

Elixir preventivo

Michael F. Holick, médico e professor do Centro Médico da Universidade de Boston, tem dedicado os últimos 30 anos da sua vida, a investigar a vitamina D e refere que, ao contrário do que a crença popular acredita, esta substância não está apenas associada ao fortalecimento dos ossos, mas a uma série de outras doenças que afetam a população mundial e que, muitas delas, podem ser até resolvidas ao colmatar a sua deficiência.

Na sua publicação «Vitamina D: Como um Simples Tratamento Pode Prevenir Doenças Tão Importantes», um livro já publicado em território nacional, o especialista revela que «temos uma séria deficiência desta vitamina, o que ameaça a nossa subsistência e longevidade».

Diz ainda que, «se tivesse de dar um único ingrediente secreto para a prevenção e, em muitos casos até o tratamento, de doenças cardíacas, dos cancros mais comuns, dos acidentes vasculares cerebrais, de doenças infecciosas, como a gripe ou a tuberculose, do diabetes tipo 1 e 2, da demência, da depressão, da insónia, da fraqueza muscular, de dores nas articulações, da fibromialgia, da artrite reumatoide, da osteoporose, da psoríase, da esclerose múltipla e da hipertensão, seria este, vitamina D».

«Não é à toa que a vitamina D fez parte da lista das dez descobertas médicas mais importantes, publicadas na revista Time, em 2007», acrescenta ainda o autor do livro «Vitamina D: Como um Simples Tratamento Pode Prevenir Doenças Tão Importantes», lançado em Portugal pela editora Marcador. Veja também 10 benefícios do sol que vão melhorar a sua saúde e soluções naturais que defendem a pele dos raios UV.

Afinal é uma hormona

Na realidade, a vitamina D não é uma vitamina, já que esta é uma substância que o nosso corpo não produz. Quando foi descoberta, no início do século XX, pensou-se que era, de facto, uma vitamina, contudo, trata-se uma hormona produzida no nosso corpo e que necessita de ser ativada pelas radiações UVB do sol, sendo depois sintetizada no fígado e nos rins. Alguns alimentos, como os peixes gordos (o atum, a sardinha e o salmão selvagem), ovos e alguns tipos de queijo também fornecem vitamina D.

Mas 90 a 95 por cento das nossas necessidades provêm da luz solar. Segundo Michael F. Holick, estudos recentes revelam que, entre 2005 e 2015, houve uma redução de 22 por cento nos níveis de vitamina D na população americana e que entre 50 e 100 por cento das crianças na Europa e nos Estados Unidos da América têm uma elevada probabilidade de sofrer de carência de vitamina D.

O cientista refere que esta situação muito se deve ao facto da indústria dermocosmética ter transformado o sol num demónio que é responsável pelo aparecimento do cancro da pele. Um demónio que provoca o envelhecimento precoce da mesma, bem como ao envelhecimento da população.

«Quero deixar bem claro que não aconselho o bronzeamento, mas uma exposição solar moderada», diz, alertando que o aconselhável é 15 a 20 minutos diários, dependendo dos tipos de pele. Deve, todavia, ser feita a horas menos perigosas. Até às 11h00 e depois das 16h00, protegendo sempre o rosto.

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