Evitar totalmente o sol também não é bom

Os danos irreparáveis que a radiação solar pode causar são indesmentíveis, apesar de um novo estudo que a defende. Saiba como transformar o astro-rei num aliado natural da sua pele

O sol é, sem dúvida, indispensável à vida na terra. Para nós, é essencial na regulação do metabolismo do cálcio e do fósforo necessários ao fortalecimento ósseo. Faz-nos bem, física e psicologicamente. Em relação a isso, não há qualquer dúvida. Não é por acaso que quando ele aparece as pessoas se sentem mais bem dispostas. No entanto, esta é apenas uma perspetiva. Em quantidades excessivas, os raios solares podem provocar danos irreparáveis.

Atualmente, a exposição solar abusiva é responsável por cerca de 90 por cento dos casos de cancro cutâneo. É urgente, por isso, mudar os comportamentos, saber proteger-se e estar atenta a sinais de alarme. O sol não está para brincadeiras, acredite! De qualquer modo, também não se feche numa redoma. Um estudo publicado no Journal of Internal Medicine no início de 2016 também alerta para os perigos de não apanhar sol.

Desenvolvida pelo cientista Pelle Lindquist, que analisou a pele de 30.000 mulheres suecas entre os 25 e os 64 anos, a pesquisa revelou que as mulheres que não apanharam sol durante esse período tiveram mais cancro de pele do que as que se expuseram ao sol com regularidade. A falta de vitamina D das primeiras é uma das razões invocadas. Ainda assim, todo o cuidado é pouco e a moderação é a palavra de ordem.

A sua pele

Somos todos diferentes e reagimos de forma distinta à ação do sol. Para nos protegermos corretamente dos seus efeitos nocivos, precisamos de conhecer bem o nosso tipo de pele. Cada um de nós possui uma determinada capacidade natural de defesa à agressão solar, que se manifesta por exemplo através do bronzeado ou dos processos de reparação celular.

Consoante esta capacidade de defesa, a pele divide-se em seis fototipos, que variam desde o tipo 1 (cabelos louros ou ruivos, olhos azuis ou esverdeados, pele muito clara e extremamente sensível) ao tipo 6 (cabelos, olhos e pele negros, muito bem adaptados ao sol). Quanto mais reduzido for o seu fototipo, mais elevada deverá ser a proteção solar.

Radiação perigosa

Atualmente, os perigos do sol continuam a aumentar à medida que a camada do ozono vai diminuindo. As radiações nocivas, que afetam a nossa pele, deveriam ser filtradas por esta barreira natural, mas a verdade é que o buraco na camada do ozono está a deixar passar tudo o que o sol tem de bom e de mau.

A luz solar é composta pela luz visível, que dá cor à terra, e por dois tipos de radiação invisível. A infravermelha, que aquece o planeta, e a ultravioleta. Esta última é a responsável pelo bronzear da pele e divide-se em três tipos: UVA, UVB e UVC. Segundo Miguel Trincheiras, dermatologista, «com os UVC não precisamos de nos preocupar, porque são absorvidos na totalidade pela camada de ozono, mas o mesmo não se passa com os outros dois tipos».

UVA e UVB

As radiações que merecem a nossa atenção distinguem-se pelo comprimento de onda. A radiação mais longa designa-se UVA e a mais curta UVB. Ambas são nocivas para a tez «porque vão provocar danos na pele a nível do ADN e da divisão celular, causando erros de replicação das células, que vão acumular defeitos genéticos», esclarece o especialista.

Os UVA, por serem mais longos, têm uma maior capacidade de penetração na pele atingindo a derme, ao passo que os UVB são totalmente absorvidos pela epiderme. Provocam danos em estruturas como o colagénio e as fibras elásticas, causando o chamado fotoenvelhecimento, que se traduz em irregularidade de pigmentação, rugas e flacidez cutâneas.

Por sua vez, os UVB são responsáveis pelas queimaduras superficiais da pele, provocando alterações cutâneas que podem levar ao aparecimento de células cancerígenas. Uma realidade que, nos últimos anos, se tem vindo a agravar de forma alarmante.

Hora certa

É sabido que em determinadas horas (particularmente entre as 11h e as 16h), não devemos estar expostos ao sol. Miguel Trincheiras ilustra de uma forma bastante simples esta recomendação. «Quando o sol está mais vertical, ele atravessa uma fatia menor da camada do ozono do que faria se a atravessasse em oblíquo, sendo menos filtrado. Assim, o mais prático é observar», sugere.

«Quando nos pomos ao sol se e a nossa sombra é igual ou inferior ao nosso tamanho, não devemos estar ao sol. Se é superior, significa que o sol já entra obliquamente, sendo portanto mais seguro», sublinha. Desta forma, em vez de olhar para o relógio, guie-se pela sua própria sombra, tendo em mente que é um indicador da quantidade de raios nocivos que a sua pele está a receber.

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