As complicações tardias da diabetes

Saiba quais são os órgãos que podem ser gravemente afetados numa fase posterior por uma doença crónica que já atinge mais de um milhão de pessoas em Portugal

A diabetes é uma doença crónica, caracterizada pelo aumento dos níveis de açúcar no sangue (hiperglicemia), que obriga a cuidados terapêuticos continuados para assegurar o funcionamento normal do organismo. Quando esse controlo não é feito corretamente, para além das descompensações agudas imediatas,  podem surgir complicações em diferentes órgãos (afetam 40% dos diabéticos), que evoluem progressiva e silenciosamente (sem sintomas).

Estas complicações podem ocorrer nos dois tipos de diabetes (tipo I e tipo II) e surgem fundamentalmente como resultado de um mau controlo metabólico, ainda que alguns fatores genéticos também possam estar na sua origem. Para preveni-las ou, pelo menos, minimizar os seus danos, é fundamental promover um controlo eficiente da glicemia, bem como de outros fatores de risco associados (hipertensão e colesterol, por exemplo), associado a uma vigilância periódica dos órgãos mais sensíveis.

As manifestações tardias da diabetes são causadas, na sua grande maioria, por lesões nos vasos sanguíneos (micro e macroangiopatia) e, com menor frequência, no sistema nervoso periférico (neuropatia diabética). Conheça as suas consequências e saiba como preveni-las:

- Lesões nos vasos sanguíneos

Resultam do aparecimento de alterações nas paredes dos vasos sanguíneos, tornando difícil a passagem do sangue e, por conseguinte, o transporte de oxigénio e nutrientes a determinados tecidos ou órgãos do corpo. Têm o nome genérico de angiopatia diabética e manifestam-se de forma diversa, consoante os vasos lesados. Nos pequenos vasos, fala-se em microangiopatia e, nos grandes, de macroangiopatia.

- Microangiopatia diabética

É uma complicação que apenas se manifesta nas pessoas diabéticas e afeta essencialmente os vasos da retina (retinopatia) e dos rins (nefropatia).

- Retinopatia diabética

A retina é uma fina camada no fundo do olho, rica em pequenos vasos sanguíneos e nervos, cujas lesões podem levar à cegueira em ambos os tipos de diabetes. «Na diabetes tipo I, nas fases iniciais da doença, não há, habitualmente, lesões, e estas desenvolvem-se sem sinais da evolução da doença. Na diabetes tipo II, as lesões podem estar presentes desde o diagnóstico e devem ser despistadas», descreve a endocrinologista Cristina Valadas.

As pessoas com diabetes tipo I devem começar a fazer observações oftalmológicas periódicas (anuais, no mínimo) a partir dos cinco anos de doença e os doentes tipo II, logo a partir do diagnóstico, uma vez que a descoberta precoce de fragilidades nestes vasos permite, através de fotocoagulação com radiações laser, impedir a sua progressão.

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