(In)tolerância ao açúcar e aos hidratos de carbono

O controlo e a gestão do peso ou a saúde não devem depender unicamente da restrição calórica. A fisiologista Teresa Branco explica porquê

O impacto que uma caloria fornecida pelas proteínas tem no organismo não é igual ao fornecido por uma caloria de açúcar. É importante perceber como funciona o nosso organismo para selecionarmos o tipo de calorias que devemos ingerir. A Tabela da Composição dos Alimentos portugueses, elaborada pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, onde também pode ser adquirida, por conter toda a composição nutricional dos alimentos portugueses, permite-nos saber exatamente o que estamos a ingerir.

Assim, os que de nós tiverem menos tolerância aos hidratos de carbono deverão privilegiar os alimentos mais ricos em proteínas e gordura em detrimento dos alimentos ricos em hidratos de carbono, independentemente do número de calorias ingeridas. Os descendentes de pais diabéticos tipo 2 e que tenham tendência para engordar, muito possivelmente terão menos boa tolerância aos hidratos de carbono (várias formas de açúcar) e, por essa razão, deverão selecionar de forma cuidadosa os alimentos ricos nesse macronutriente.

Para estas pessoas, o importante é ingerir alimentos com um baixo teor em hidratos de carbono de absorção rápida. Uma forma de percebermos o teor de hidratos de carbono de um alimento é através do seu rótulo. Assim, ao total de gramas de hidratos de carbono devemos subtrair o total de gramas de fibras. Os alimentos que apresentarem uma diferença menor são os mais indicados.

Os hidratos de carbono líquidos (os de absorção rápida) são o resultado da subtração das fibras ao total de hidratos de carbono. Assim, os menos tolerantes aos hidratos de carbono devem ingerir uma quantidade inferior de hidratos de carbono líquidos. Quando queremos perder peso devemos reduzir os alimentos com elevado teor em hidratos de carbono líquidos.

Para uma perda de peso muito acentuada, recomenda-se uma ingestão máxima de 20 g de hidratos de carbono líquidos por dia. No entanto, este tipo de prescrição promove uma perda do peso muito drástica e torna-se muito difícil seguir esta recomendação durante muito tempo. Para uma perda do peso moderada recomenda-se a ingestão de 30 g de hidratos de carbono líquidos.

Para desportistas que querem perder peso a recomendação é de 40 g por dia. À medida que os objetivos de perda do peso são atingidos aumenta-se o teor em hidratos de carbono até atingir uma estabilização do peso. O seu equilíbrio de hidratos de carbono está na quantidade de hidratos de carbono líquidos que consegue ingerir sem engordar.

Texto: Teresa Branco (fisiologista da gestão do peso)

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