Um mês e 10 mortos depois, averigua-se responsabilidade criminal

Os primeiro casos de legionella do maior surto em Portugal foram conhecidos a 07 de novembro, um mês depois contabilizam-se 10 mortos, dezenas de doentes ainda internados e uma empresa sob suspeita de ser a fonte da contaminação.

O surto, o terceiro com mais casos em todo o mundo, foi considerado extinto a 21 de novembro, no final da última reunião da taskforce criada para acompanhar o assunto, com entidades da saúde, ambiente ou meteorologia, quando o ministro da Saúde realçou a resposta dos hospitais que "trataram mais de 300 pneumonias".

Com a divulgação de resultados laboratoriais a apontar para uma relação entre as bactérias recolhidas em doentes para análise e aquelas encontradas numa torre de refrigeração da empresa Adubos de Portugal, e com o caso a passar para a Procuradoria Geral da República, o segredo de justiça é o argumento de algumas entidades, como a Inspeção Geral da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território (IGAMAOT), para não se falar sobre o desenvolvimento do processo.

No início, dava-se conta da entrada de 13 pessoas no Hospital de Vila Franca de Xira com sintomas que apontavam para episódios provocados pela bactéria legionella, mas relacionavam as situações com o facto de todas terem bebido água.

Vila Franca de Xira como ponto em comum entre os casos

O número de casos foi aumentando e os doentes apareciam em vários pontos do país e mesmo no estrangeiro, tendo como ponto em comum a passagem pela região de Vila Franca de Xira, nomeadamente nas freguesias de Forte da Casa e da Póvoa de Santa Iria, tendo sido acionado um plano de contingência.

Perante a preocupação dos habitantes, foi esclarecido que a doença do legionário, provocada pela legionella pneumophila, não é transmitida por se beber água, contraindo-se pela inalação de gotículas de vapor de água contaminada de dimensões muito pequenas que transportam a bactéria para os pulmões, depositando-a nos alvéolos pulmonares.

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