Plásticas no masculino

Os homens perderam o medo da sala de operações e já não têm medo de arriscar uma mudança de imagem. Mas há fatores a ponderar antes de realizar uma cirurgia

Engane-se quem pensa que a cirurgia estética é um domínio exclusivo das mulheres. Os tempos mudaram. Os homens perderam o medo da sala de operações e, cada vez mais, sujeitam-se intervenções estéticas para melhorarem a sua imagem e a sua autoestima. O mundo da cirurgia estética masculina cresceu e a sua procura aumenta. Segundo o cirurgião plástico Nuno Ramos, hoje, cerca de 20% das intervenções plásticas são realizadas a homens e, tal como nas mulheres, a escolha do tratamento depende da idade.

Se, até aos 30 anos, as mais procuradas são a rinoplastia (correção do nariz), a otoplastia (correção das orelhas) e a correção da ginecomastia (mamas femininas), a partir dos 30 surge uma maior preocupação com o resto do corpo, nomeadamente com a região abdominal, havendo mais procura por abdominoplastias e lipoaspirações. A partir dos 40 anos, denotam uma especial atenção com a calvície e com o envelhecimento do rosto, recorrendo com mais frequência a implantes capilares e a ritidectomias (face-lift).

Uma cirurgia no momento certo pode mudar a vida

O homem aprendeu a cuidar de si e a gostar de estar bem consigo próprio. E, sobretudo, aprendeu que ter uma imagem cuidada abre imensas portas profissionais e sociais. O cirurgião Nuno Ramos subscreve a ideia de que uma cirurgia estética no momento certo pode mudar a vida de uma pessoa e acrescenta que «se é possível fazer alguma coisa para melhorar a nossa forma de estar, a nossa vida e a nossa autoestima, isso é importante». Os complexos físicos podem levar a condutas de comportamento desconfortáveis.

Mas, muitas vezes, esses não se podem contornar a não ser através de uma cirurgia estética. Um claro exemplo disso acontece a quem tem as orelhas grandes e afastadas do rosto (o que pode provocar algumas piadas que nunca deixam de ser desconfortáveis para quem as ouve) ou, no caso da ginecomastia (patologia em que os homens têm, literalmente, mamas femininas e que pode ser tratada de várias formas), que conduz, normalmente, a problemas de autoestima por ser um problema deveras incómodo e, muitas vezes, motivo de embaraço e até de vergonha.

Questões a ponderar antes de avançar

Se está a pensar recorrer a uma operação plástica, saiba que há quatro fatores a ter em conta, nomeadamente:

1. O bom-senso

A decisão de recorrer a uma intervenção estética deve ser baseada no bom-senso relativamente à idade e ao que se vai corrigir. A maturidade e a verdadeira consciência corporal permitem perceber que, apesar de «existirem padrões de beleza e daquilo que é considerado normal, corrigir uma deformidade real é diferente de ajustar um pormenor», refere o cirurgião. «Se não existirem deformidades, estaremos a criá-las», alerta.

2. Os prós e os contras

Uma cirurgia estética é, sempre, uma cirurgia. Implica riscos e decisões. «Há sempre, pelo menos, uma cicatriz que fica. Há sempre algo que se tira ou algo que se põe», refere Nuno Ramos. Pese bem os prós e os contras da sua decisão antes de avançar e tire todas as dúvidas com o médico.

3. As técnicas aplicadas

É essencial que o planeamento da intervenção seja feito pelo médico em parceria com o paciente que, por seu lado, deve conhecer e perceber as técnicas que serão aplicadas bem como o planeamento das incisões que vão ser feitas. Informar-se é obrigatório.

4. O pré e o pós-operatório

O pré-operatório é essencial, já que é necessário, antes de mais, avaliar «se existem condições clínicas» para a realização de uma cirurgia. A saúde está em primeiro lugar. Relativamente ao pós-operatório, que depende da intervenção feita, as indicações do médico devem ser rigorosamente seguidas durante o tempo definido.

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