Subestimar o potencial de aprendizagem do bebé pode arruinar o seu sono

Os bebés estão, desde que nascem, altamente predispostos a aprender e toda a sua recente vivência é aprendizagem

Felizmente, a maior parte dos pais que me procuram sabem que os bebés estão, desde que nascem, altamente predispostos a aprender e que toda a sua recente vivência é aprendizagem. O que os pais podem precisar de aprofundar, é que sendo uma condição humana, esta deve ser vista como uma capacidade a potenciar em benefício do próprio bebé e do seu próprio bem-estar.

 

O seu cérebro absorve naturalmente toda a informação da nova vida, deste “novo mundo”. No entanto, toda esta vivência, toda esta informação é nivelada ao seu nível de experiência, conhecimento e expetativa, que naturalmente, ainda é limitado. (Daí que não seja possível ensinar um bebé a falar fluentemente antes mesmo da sua maturação, embora possa compreender muito bem o que falamos, desde muito cedo).

 

Na prática da aprendizagem nesta fase de vida, tal como em qualquer idade, o processo é otimizado pela repetição. No entanto, os resultados da aprendizagem pela repetição só serão melhorados e acelerados caso se façam acompanhar de consistência, congruência, clareza de eventos e numa base lógica de adequação funcional face às necessidades e capacidade reais da fase do bebé.

 

Acontece passar um pouco despercebido aos pais estas astutas aptidões de aprendizagem. Ocorre muitas vezes uma desconexão entre aquilo que os pais acham que o bebé aprendeu e aquilo que de facto estão a ensinar inadvertidamente. É comum que os pais nem cheguem a ter consciência que ensinaram algo indesejado e que está a comprometer algo importante, atribuindo algumas razões às “manhas”. Claro que nunca o fazem conscientes disso. Isto apenas acontece quando, sem qualquer intenção, se ignora que o bebé está aprender absolutamente tudo. Os momentos de convívio, o tipo de respostas ao choro, posturas, soluções para cada reação/estado do bebé, estão a ser alvo de absorção e associação pelo próprio bebé. É assim que ele desenvolve o encadeamento do seu mapa mental e de todos os conceitos em desenvolvimento.

Por exemplo, quando um bebé chora, independentemente da razão, ele estará novamente muito atento ao momento em que voltará a sentir-se bem depois do choro. Além das razões do choro, ele estará mais atento à solução usada. Torna-se justo, por isso, que se facilite a sua organização causa-efeito para uma harmoniosa e justa construção do mapa mental de conceitos. Deste modo é possível nivelar o que é justo o bebé poder esperar. Esta adequação de expectativa evita a intensificação dos períodos de choro.

Não sendo exclusivo, é curiosamente no campo do sono do bebé, onde se verifica a maior desconexão entre aquilo que os pais esperam que o bebé saiba fazer e aquilo que de facto o ensinaram a fazer, ainda que com a mais genuína e melhor intenção.

Se por exemplo um bebé mamar imediatamente antes de dormir antes de cada sesta e antes de ir dormir à noite (de forma padronizada e continuada) ainda que durante o dia isso não evidencie aparentemente um grande problema, ao longo do tempo dará razões para começar a revelar-se um problema durante a noite. A associação direta de leitinho/mama ao sono, continua no a ser dos hábitos mais difíceis de gerir pelos pais no período da noite. Sabendo que o sono não é contínuo, e caso o bebé não tenha aprendido a adormecer de outro modo durante o dia, é justo que sempre que desperte, e não consiga re-adormecer imediatamente, venha a apresentar desconforto pelo cansaço de não estar a dormir, mas também porque espera a sua solução “pré-sono”, neste caso: leitinho/mama.

 

Existem variadíssimos exemplos como este, mas todos eles de uma maneira ou de outra descuram o potencial de aprendizagem do bebé.

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