Os professores ainda são figuras de referência?

Renato Paiva, especialista em educação e autor do livro «O Segredo para Alcançar o Sucesso na Escola, acredita que sim

A chegada à escola marca o encanto pela aprendizagem e mais uma etapa do nosso crescimento. É na escola que contactamos mais frequentemente com os nossos amigos, que brincamos com eles, mas também é lá que iniciamos o nosso percurso escolar. É com o professor primário, no primeiro ciclo, que iniciamos a aprendizagem formal da leitura, da escrita, do cálculo, da nossa história, da nossa geografia que nos vai alimentando e satisfazendo a voraz curiosidade em querer saber sempre mais.

Professores que nos acolhem e marcam pela sua paciência, dedicação e modo de estar, num estabelecer de relação à entrada da escolaridade obrigatória. São estes profissionais, num modelo monodocente que nos amparam no primeiro impacto com o ambiente e com as regras da nova escola, que nos acarinham todos os dias e que nos transmitem tranquilidade na insegurança de quem é criança.

São eles que nos ajudam a confiar em nós e a perceber que somos capazes, que nos desafiam a superar os obstáculos que sempre se cruzam no caminho, que nos suportam nos dias chatos e nos compreendem nos momentos menos bons, ficando ao nosso lado. A rir e a chorar connosco, do jeito deles, mas com tempo para nos conhecerem e ajudarem na construção do nosso eu.

A transição para o segundo ciclo

Na transição para o segundo ciclo, o contacto com os professores não é tão presente, torna-se mais esporádico. Não é tão comum encontrarmos o mesmo professor todos os dias, com tempo para nós e não somente dedicado para as matérias. Geralmente são relações mais distantes, por serem mais fugazes e menos frequentes e, por isso, nos lembramos melhor dos nossos diretores de turma, apelidados carinhosamente de DT, com quem mais tempo passávamos.

Eram eles que nos ajudavam a resolver os problemas da turma e que nos ouviam para além das respostas às perguntas das matérias. Não está em causa a sua preocupação para connosco, mas são professores tipicamente mais distantes por não terem uma relação tão próxima, exceção a professores que têm a mesma turma em mais que uma disciplina e os DT, que nos marcam e conquistam não pelo que ensinam mas pelo que são enquanto modelos e pessoas.

Os DT são figuras marcantes uma vez que ajudam na coesão e comunicação entre professores para um maior apoio a cada uma das crianças. É natural haver mudanças a todos os níveis e o diretor de turma torna-se um elo de ligação também emocional para além de pedagógico.
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Os professores que marcam os alunos

Ao longo do percurso académico, os professores marcam o nosso caminho. De diferentes formas! Não só os que nos dizem coisas boas, coisas positivas e reforçadoras, mas também os que nos criticam e nos fazem pensar. Os professores de referência são aqueles que nos ajudam a ser melhores, não apenas os que nos ensinam bem a matéria. É na relação que se perceciona o desempenho dos docentes e que se relembram as figuras de referência.

São os professores que sentem o que dizem, em que o seu verbal e postura são coincidentes, que marcam as crianças no seu dia a dia. São os professores, na escola, que conquistam, muitas vezes, o modelo mais importante depois do modelo familiar tendo grande impacto no crescimento enquanto crianças, pré-adolescentes e jovens adultos.

Se pensar nos seus melhores professores, é provável que se lembre melhor do que eles eram enquanto pessoas do que o que lhe ensinaram. É essa a diferença para quem nos marca. Os modelos que nos transmitem pelo que são e pelo que fazem e não apenas pelo que dizem.

Texto: Renato Paiva (diretor da Clínica da Educação e da Academia Wowstudy e autor do livro «O Segredo para Alcançar o Sucesso na Escola», publicado pela editora A Esfera dos Livros)

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