O que fazer para conseguir (man)ter amizades no trabalho

Os colegas que trabalham ao nosso lado não têm de ser nossos amigos mas também não precisam de ser inimigos. Saiba como gerir e potenciar os afetos num ambiente profissional.

Manter amizades no trabalho pode torná-lo numa pessoa mais produtiva? Será que a amizade no trabalho compromete a concentração e a produtividade, como acreditam muitos diretores de empresas? Estudos realizados por todo o mundo provam precisamente o contrário. Manter laços afetivos no espaço laboral é saudável e recomenda-se, apesar de na prática nem sempre ser fácil de o conseguir.

Se pensar que passamos cerca de 70% do tempo que estamos acordados num ambiente profissional, convivendo em muitas situações com colegas de trabalho com os quais pouco ou nada nos identificamos ou com os quais apenas interagimos socialmente em determinadas situações, vale a pena revelar um pouco da sua personalidade, defendem muitos especialistas.

Com a ajuda de um especialista em psicologia das organizações, mostramos como manter laços de amizade no trabalho pode ser mais importante do que um aumento no salário. Num estudo realizado pelo Instituto Gallup, um dos maiores centros de investigação na área da consultadoria e liderança, que envolveu mais de cinco milhões de pessoas de todo o mundo, as conclusões foram surpreendentes.

Os especialistas apuraram que uma pessoa que tenha como colega o melhor amigo tem sete vezes mais probabilidade de se dedicar ao trabalho, produz mais em menos tempo, tem menos acidentes, é mais inovadora e partilha mais ideias. Os trabalhadores que tenham, pelo menos, três amigos chegados no local de trabalho têm 96% de probabilidade de se sentiram realizados com a vida.

O poder da amizade

A pesquisa, publicada no livro «Vital Friends: The People You Can't Affort to Live Without», de Tom Rath, responsável pela pesquisa, refere que «50% cento das pessoas que têm amigos no trabalho sente-se realizada». O autor do livro que se tornou bestseller defende mesmo que «a amizade é uma das necessidades principais dos seres humanos». Ana Moreira, 40 anos, é subgerente numa unidade bancária de Lisboa, onde trabalha há 16.

Anteriormente, mudava constantemente de balcão, mas sempre teve facilidade de fazer amigos. Hoje, além dos amigos que mantém noutros sítios profissionais, pelo menos dois dos seus quatro colegas pertencem ao seu universo de afetos. Almoçam ou jantam juntos e mantêm relações de amizade para além do trabalho. Uma prova de que estes elos podem de ser mais fortes do que o espírito de competitividade incentivado por algumas empresas.

«Tenho a certeza de que a amizade é o mais importante para atingir os objetivos a 100% cento», desabafa. «A cumplicidade e a capacidade de entreajuda entre nós sempre me levou a entregar-me de corpo e alma àquilo que faço», conta. A dedicação que Ana Moreira tem depositado no trabalho reflete-se nas várias promoções que já teve ao longo da sua carreira.

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