Este é o ano de agir!

Ponha a sua vida a mexer e verá como tudo começa a mover-se no sentido que pediu. Uma crónica de Teresa Marta, mestre em relação de ajuda e consultora de bem-estar.

Há uns anos, vi um documentário sobre as grandes dificuldades dos portugueses durante a II Guerra Mundial. Mostrava filas de pessoas tristes e resignadas segurando senhas de racionamento, esperando que lhes fosse dado o seu quinhão de alimentos daquele dia e, por vezes, da semana. Via-o com o meu filho de sete anos que, impressionado, me fez uma pergunta. «Mamã, mas eles não podiam fazer nada?», interrogou.

Este documentário e a pergunta do meu filho fizeram-me pensar na forma como estamos a reagir a esta fase menos positiva de Portugal e do mundo. É indiscutível que há famílias inteiras a viver situações angustiantes. E que todos nós sentimos que algo está efetivamente mal. Que algo não está a resultar. Mas será que não estamos a queixar-nos de mais? Será que não estamos a pensar de mais e a fazer de menos?

Em termos existenciais, a queixa, segundo Kierkegaard, condiciona a evolução do indivíduo, condiciona a existência. No entanto, na perspetiva existencialista a queixa (crise) é também entendida como kairos (oportuno). Isto significa, na minha opinião, que todas as crises têm um lado positivo que resulta do facto de todos os instantes de queixa serem igualmente instantes de mudança.

Por isso, se está numa fase em que pensa que não vai conseguir, se na sua vida não consegue ver nada de positivo, permita-me que lhe pergunte o que espera que a vida lhe dê em troca? Se não planta positividade em si, nas situações e nos outros (emprego, família, amigos e saúde, por exemplo), o que espera que lhe devolvam? Ao invés de se queixar, de se sentir triste, sem sorte, desprotegido, só, incompreendido, injustiçado, mude de perspetiva.

O que fazer para abraçar a vida com uma nova perspetiva

Comece hoje mesmo a ver as condicionantes como oportunidades. A ver a sua ansiedade como uma oportunidade para se renovar, para sair dos padrões de condicionamento limitadores. Perceba que apenas está a repetir os modelos que lhe incutiram. Por muito boas intenções que tenham tido, esses modelos são baseados no medo. Se sempre lhe disseram que o mundo é perigoso, como pode vê-lo como um lugar seguro?

Se sempre lhe ensinaram que as crises são para evitar, como não sentir-se aterrado ao ouvir as notícias, ao olhar para as estatísticas do desemprego ou para o saldo da sua conta? Como há de conseguir ver os seus medos como instantes existenciais de crescimento? Ninguém vive sem medos. Todas as escolhas envolvem medo. Quanto mais não seja, medo de errar no caminho que escolhemos.

Medo de abandonar o lugar que já conhecemos. Por muito má que seja a nossa condição, pelo menos tem algo de positivo. Já sabemos com o que contar. No entanto, ficar quieto apenas contribui para que não consiga ultrapassar as situações menos boas. É preciso, pois, que acredite que não está condenado. Pode, efetivamente, fazer alguma coisa. Tem em si a capacidade intrínseca de lutar, de resistir e de dar a volta por cima.

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