A memória das mulheres é (mesmo) mais desenvolvida do que a dos homens

Os resultados de uma investigação norte-americana confirmam aquilo que já suspeitávamos. Mas a explicação é, no mínimo, peculiar

A memória das mulheres é mais desenvolvida do que a dos homens. Esta é a conclusão a que chegou um estudo da Universidade de Rutgers, nos EUA, sobre a memória autobiográfica, liderado por Azriel Grysman e Judith Hudson, e publicado na revista científica Development Review. Não só se lembram mais rapidamente, como as mulheres ainda têm a capacidade de recordarem acontecimentos passados com maior precisão e mais detalhe. Uma diferença entre géneros que parece estar associada à forma como os pais falam com os filhos, particularmente quando a memória autobiográfica se está a desenvolver, entre os 2 e os 6 anos.

Aparentemente sem dar por isso, os progenitores distinguem entre raparigas e rapazes. Seja pela maneira como contam histórias ou como pedem que lhes sejam narradas as experiências na escola. Por exemplo, as mães pedem às meninas que incluam emoções quando descrevem um acontecimento ou contam o que fizeram durante o dia. Isto leva a que as raparigas venham a ter uma memória autobiográfica melhor, porque, de acordo com Azriel Grysman, a memória «é um padrão de atividade mental».

O nosso cérebro armazena e interrelaciona informação por pistas. Assim, quanto mais pormenores estiverem associados a um determinado evento (clima, roupa, estado de espírito, local e por aí fora…), maiores são as probabilidades de recuperar uma memória. De resto, três investigadoras da Nova Zelândia já tinham concluído, em 2009, que as crianças cujas mães lhes pediam para desenvolver mais os relatos do dia tinham melhor memória enquanto adultos.

Do que é que se lembra?

Quantos filmes nos dizem que os momentos que ficam para sempre são os imprevisíveis, genuínos, aparentemente insignificantes? E, de facto, o que fica registado na nossa memória são as situações mais corriqueiras do dia-a-dia. Um estudo da Universidade de Harvard, publicado na revista científica Psychological Science, revelou que as experiências que ocorrem durante a nossa rotina ficam gravadas na memória e têm efeitos positivos no nosso estado de espírito a longo-prazo.

Por exemplo, as idas ao supermercado, o que estava a comer quando conheceu uma amiga, onde estava quando caiu uma tromba de água que a deixou encharcada. Isto não significa que deva deixar de aproveitar as viagens de sonho e as grandes festas. Todavia, segundo o estudo, para tornar algo marcante basta estar mais atenta ao presente. E também ajuda reduzir as expectativas em relação às situações, de modo a não ficarmos profundamente desapontados quando as coisas não correm conforme planeado.

Texto: Filipa Basílio da Silva

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