Ter um AVC aos 30 anos é cada vez mais comum

Anualmente, 6,2 milhões de pessoas no mundo são vítimas de acidente vascular cerebral. Saiba o que fazer quando a doença surge mais cedo do que se espera.

Atualmente, é a principal causa de morte em Portugal, atingindo números preocupantes. Apesar da idade habitual de diagnóstico situar-se entre os 65 e os 75 anos, um acidente vascular cerebral (AVC) pode acontecer logo aos 30 anos. «Ocorre quando um vaso sanguíneo do sistema nervoso rompe ou é bloqueado por um coágulo e uma parte do cérebro deixa de receber sangue e começa a morrer», explica a neurologista Belina Nunes.

«Pode dever-se a isquemia (falta de aporte de sangue ao cérebro) ou a hemorragia (extravasamento de sangue dos vasos para o tecido cerebral), mais grave mas também menos frequente», esclarece a especialista. Para saber mais sobre esta doença, veja também o nosso guia de prevenção do AVC e, como a alimentação desempenha um papel preventivo, descubra também quais são os alimentos que reduzem o risco de AVC.

Porque pode surgir mais cedo?

«Embora o AVC esteja associado a idades mais avançadas, sendo mais comum a partir dos 55 anos (com a incidência a dobrar a cada década depois dessa idade), pode ocorrer em idades mais precoces, nomeadamente em jovens adultos», confirma a neurologista Belina Nunes. «A hipertensão arterial, a diabetes, os valores elevados de colesterol e triglicéridos e as doenças cardíacas são os principais fatores de risco da doença vascular cerebral, em qualquer idade, a par da carga genética», alerta.

No entanto, que «um jovem adulto pode ter um AVC em consequência de condições clínicas mais raras (rutura de um aneurisma cerebral, malformação arteriovenosa cerebral ou trombose venosa cerebral) difíceis de controlar», ressalva ainda a especialista. Em qualquer dos casos, «o prognóstico depende da rapidez de intervenção diagnóstica e terapêutica e da localização e extensão da hemorragia».

Como prevenir

Consulte o seu médico de família regularmente para manter sob controlo a tensão arterial e os valores da glicemia e do colesterol. Se tiver hipertensão, respeite a medicação e as indicações médicas. Pratique exercício físico regularmente e evite o excesso de peso. A obesidade está diretamente relacionada com outros fatores de risco do AVC. Faça uma alimentação cuidada, evitando os alimentos ricos em gorduras saturadas (bolos, carnes gordas e fritos, por exemplo).

Prefira as gorduras saudáveis (como o azeite) e reduza a ingestão de sal. Este é um cuidado fundamental na redução da tensão arterial. Coma cinco ou mais doses de fruta e vegetais por dia. Um estudo da Universidade de Wageningen, na Holanda, revelou que «comer alimentos de polpa branca (pera, pepino, maçã e banana) reduz o risco de AVC em cerca de 50%». Evite também o álcool e o tabaco.

«A ocorrência familiar prévia de AVC em jovens pode ser um alerta para a existência de causas familiares de AVC que devem ser investigadas», alerta Belina Nunes. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cruzadas com informações de especialistas e entidades que lidam regularmente com o problema, este tipo de acidentes mata anualmente 6,2 milhões de pessoas no planeta.

Sinais de alarme

No seu livro «Consulta de neurologia», publicado pela editora Lidel, a especialista Belina Nunes deixa claro quais os sinais que não pode mesmo ignorar:

- Falta de força no braço e perna do mesmo lado

- Paralisia dos lábios de um dos lados ou boca ao lado

- Perda de sensibilidade de metade do corpo

- Fala arrastada, voz entaramelada ou língua presa. dificuldade em encontrar palavras para se expressar

- Falar de forma incompreensível, com palavras que não existem e frases fora do sítio

Texto: Sofia Cardoso com Belina Nunes (neurologista)

artigo do parceiro:

Comentários