Queda de cabelo na infância

Dermatologista ajuda a identificar os sinais de alarme e explica as causas que estão na sua origem

A importância cosmética do cabelo é tal que faz com que a sua queda na infância seja uma fonte de preocupação e stress para a criança e os pais. Quando se aborda uma criança com queda de cabelo (alopécia) é fundamental a colheita da história clínica e o exame objectivo.

Saber o tempo e forma de evolução, se foi uma instalação súbita, se houve episódios prévios semelhantes, se houve alguma causa desencadeadora (infecção, mudança de hábitos, stress emocional, etc.); a presença de queixas associadas (prurido, descamação...); a localização, se envolve de forma difusa o couro cabeludo ou está cingido a uma área; se há presença ou inexistência de sinais inflamatórios (pústulas, crostas, gânglios linfáticos cervicais aumentados e/ ou dolorosos), permitem-nos usualmente chegar ao diagnóstico.

Se estamos perante uma alopécia com sinais inflamatórios, é necessário ponderar a presença de um processo infeccioso, bacteriano ou, com maior frequência, fúngico.

A tinea capitis é a infecção por fungos dermatófitos mais frequente na criança e uma das causas mais frequentes (em algumas populações será mesmo a mais frequente) de alopécia. Qualquer um destes diagnósticos tem de ser suportado por exames laboratoriais com identificação do agente para o qual a terapêutica será posteriormente direccionada.

De entre as formas não inflamatórias de alopécia destaco a alopécia areata. A alopécia areata é uma causa comum de queda de cabelo, não cicatricial, muitas vezes recorrente, usualmente localizada, embora possa estender-se a todo o couro cabeludo, e mesmo cursar com a perda de todos os pêlos do corpo.

É considerada como um processo auto-imune ainda que a sua etiopatogenia não seja completamente compreendida. Alguns autores defendem a importância de alguns oligoelementos como o zinco, o cobre e o magnésio na alopécia areata mas não há, de momento, suporte científico para o recurso a suplementos vitamínicos.


Texto: Alexandra Chaveiro (dermatologista na British Hospital Lisbon XXI)

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