Nova vacina relança a esperança para os doentes de psoríase

Esta doença não atinge apenas o corpo. Também afeta a autoestima de 125 milhões de pessoas em todo o mundo. Uma realidade que especialistas de duas universidades britânicas pretendem mudar.

Lesões vermelhas, espessas e descamativas na pele. Assim se caracteriza a psoríase, uma doença crónica que afeta mais de 250.000 portugueses e ataca inicialmente cotovelos, os joelhos, o couro cabeludo e as costas, podendo vir a espalhar-se por todo o corpo. A psoríase não tem cura, apesar do anúncio de uma nova vacina tornado público em outubro de 2017 ter vindo relançar a esperança. Esta doença exige vigilância e não é contagiosa.

Existem, contudo, tratamentos que ajudam a atenuar os surtos. O importante é ir a uma consulta de dermatologia, sem perder tempo, logo quando surgem os primeiros sinais de alerta, nomeadamente descamação severa, inflamação e ardor do couro cabeludo, dos joelhos e dos cotovelos, surgimento da doença em mais de 10% por cento do corpo e/ou ainda aparecimento na cara, nas mãos e nas unhas.

Marcas que os especialistas de duas universidades britânicas tentam combater. Investigadores da Universidade de Dundee e da Universidade de Oxford desenvolveram uma vacina, para já apenas testada em ratos, capaz de estimular o sistema imunitário através da produção de anticorpos que atacam a proteína responsável pelo aparecimento da patologia Mais de 125 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de psoríase.

A origem da doença

Existem diversos tipos de psoríase, sendo a sua forma mais comum «a psoríase em placas, ou vulgar, com manchas vermelhas e escamas que se vão soltando», explicou João Cunha, na condição de presidente da Associação Portuguesa da Psoríase, há uns anos à revista Saber Viver. Esta doença tem uma base genética e, por vezes, hereditária que interage com factores desencadeantes de surtos.

Segundo Paulo Jorge Ferreira, dermatologista, estes «podem estar relacionados com fases de maior stresse, infeções, traumatismos físicos e químicos, tabaco, alterações hormonais, diabetes ou gravidez». «Existem fármacos, como alguns antidepressivos e anti-hipertensores, que podem agravar a doença», sublinha ainda o especialista, habituado a lidar com o problema na sua atividade profissional.

Os efeitos

A psoríase pode causar inflamações em vários órgãos e tecidos. Nesta doença, há um aumento da síndrome metabólica, «situações relacionadas com alterações do metabolismo dos lípidos e dos hidratos de carbono e com obesidade, eventual diabetes e inflamação das paredes das artérias», conta o dermatologista. Estes quadros favorecem a ateroesclerose e podem levar a um enfarte do miocárdio, doença cerebral vascular e doença arterial periférica.

«A associação entre o enfarte do miocárdio é mais provável quanto mais grave for a psoríase», acrescenta o especialista, segundo o qual a doença «pode afetar a autoestima, as relações, provocar o embaraço social e, em último caso, o isolamento. A taxa de suicídio associada à psoríase é bastante elevada», refere ainda Paulo Jorge Ferreira.

Como tratar

Enquanto a anunciada vacina não chega ao mercado, o que não deverá acontecer antes de vários anos, uma vez que não necessários muitos mais testes laboratoriais. Existem tratamentos tópicos, com pomadas e loções, «que se aplicam sobretudo quando a doença é pouco grave e extensa. Quando esta atinge mais de 10% do corpo, recorrem-se a tratamentos sistémicos», explica o dermatologista.

«Mantendo-se, na maioria dos casos, o acompanhamento dos tópicos e hidratação da pele», sublinha, contudo, o especialista. Neste grupo, incluem-se a fototerapia, medicamentos como a ciclosporina e o metotrexato e retinoides de toma oral. Existem fármacos biológicos, administrados através de injeções ou de forma intravenosa, que ajudam a manter a pele estabilizada e a evitar grandes surtos.

Entre estes inclui-se um fármaco (Infliximab) que comprovou promover a limpeza completa da pele em 60% dos casos e das unhas em 45%. A maioria dos tratamentos de psoríase hoje disponíveis são adaptados à gravidade da condição e podem incluir medicamentos administrados por via oral, bem como injeções ou decocções. Depois do Secukinumab em 2015, Ixekizumab e Brodalumab são dois novos fármacos disponíveis em 2017.

Texto: Mariana Correia de Barros e Luis Batista Gonçalves com João Cunha (expresidente da Associação Portuguesa de Psoríase) e Paulo Jorge Ferreira (dermatologista)

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