O mito das agulhas nos dedos

Será que podem mesmo salvar vítimas de AVC?

Recebeu um e-mail que fala da aplicação de agulhas na iminência de um AVC, de forma a evitar consequências mais graves? A revista Prevenir falou com os melhores especialistas para esclarecer a veracidade deste alerta.

A informação que tem vindo a circular descreve os passos que se devem seguir na presença de uma pessoa que esteja a ter um acidente vascular cerebral (AVC).

Afirma que se o paciente for levado de imediato para o hospital, as consequências do derrame serão mais graves porque os vasos capilares do cérebro podem romper com a turbulência da viagem. Por isso, para evitar potenciais mazelas, este e-mail (anónimo, ainda que com a referência de dois especialistas desconhecidos de medicina chinesa) recomenda a utilização de uma agulha esterilizada, espetando-a nos dedos das mãos até que sangrem.

Depois, deve-se puxar as orelhas para irrigar a zona e, ainda, picá-las para que sangrem também. Segundo a informação, o paciente deverá recuperar o estado normal em alguns minutos, sem quaisquer sinais ou consequências do AVC.

A verdade

A Sociedade Portuguesa de AVC, pela voz do presidente Castro Lopes, não hesita em afirmar que «a informação veiculada não tem qualquer fundamento de verdade». Por isso, alerta a população «para o perigo destas mensagens enviadas de forma anónima, cujos conselhos podem mesmo ser fatais». Perante os sintomas de um AVC, a única atitude correcta é ligar para o 112, procedendo a um «encaminhamento rápido para um hospital que tenha uma unidade de AVC». Se o tratamento decorrer nas três horas seguintes, os doentes poderão ficar sem quaisquer sequelas. Pelo contrário, o atraso na chegada ao hospital só «aumentará as possibilidades de morte e de incapacidades graves».

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