Mulheres sofrem mais com a psoríase

Esta doença de pele não atinge homens e mulheres de forma diferenciada, à exceção de uma forma rara e grave que ataca apenas grávidas. Mas elas lidam pior com as marcas físicas da doença

Não é uma doença feminina e nem sequer se manifesta de forma diferente entre homens e mulheres, à exceção da psoríase pustulosa, uma forma rara e grave que ataca apenas grávidas. Em Portugal, afeta mais de 250.000 pessoas todos os anos. Muitas mulheres têm, no entanto, maior dificuldade em lidar com as marcas físicas da doença.

Em entrevista à Prevenir, Américo Figueiredo, professor e diretor do Serviço de Dermatologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra, presidente da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e membro do Comité de Directores da Academia Europeia de Dermatologia e Venereologia, explica a evolução da doença e fala sobre os novos tratamentos que têm surgido nos últimos anos.

Podemos dizer que existe uma psoríase feminina ou a doença manifesta-se sensivelmente da mesma maneira em homens e mulheres?

Não existe uma psoríase feminina. A doença começa em média ligeiramente mais cedo no sexo feminino mas também entre os 15 e os 30 anos e, apesar de ser raro o desaparecimento completo da doença ao longo da vida, quando acontece, é habitualmente na mulher.

Os organismos dos homens e das mulheres são diferentes. Os sintomas, as formas de prevenção e os métodos de tratamento da doença também variam?

Os sintomas, as formas de apresentação e o tratamento da doença são idênticos nos homens e nas mulheres. No entanto, existe uma forma rara e grave de psoríase pustulosa que só acontece na mulher grávida, designada de impétigo herpetiforme ou mais facilmente de psoríase pustulosa da gravidez, que a maior parte das vezes ocorre num quadro de baixa sanguínea do cálcio (hipocalcémia).

Esta doença é, muitas vezes, confundida outras doenças de pele, sobretudo quando se manifesta pela primeira vez. Existem sinais diferenciadores ou sintomas a que as mulheres devam estar particularmente atentas?

Existem muitos tipos clínicos de psoríase, nomeadamente a vulgar, assim chamada por ser a mais comum e atingir as áreas típicas, como os cotovelos, os joelhos, o couro cabeludo e a região lombo-sagrada. Existe também a psoríase do couro cabeludo. Existe a psoríase em placas que podem ser localizadas a qualquer área do tegumento cutâneo ou em gotas, a maior parte das vezes como consequência de infecção da orofaringe.

Existe ainda a psoríase palmo-plantar, envolvendo mãos e pés e inversa, assim chamada porque, ao inverso da psoríase vulgar, envolve as áreas das pregas. Para além disso existem as formas complicadas, nomeadamente a eritrodérmica (envolvendo todo o tegumento cutâneo), a pustulosa (com o aspeto de pústulas, borbulhas com pús que podem ser generalizadas ou localizada às mãos e pés) e a psoríase artropática (com envolvimento das articulações).

Em que é que a psoríase pode afetar a vida de uma mulher?

Por um lado, o tratamento é consumidor de tempo e portanto afeta a pessoa de forma importante na gestão, já condicionada, do tempo da mulher. Em segundo lugar, no que diz respeito à vida de relação social e afetiva. As placas eritematosas e descamativas por todo o corpo ou as lesões dos pés e mãos podem afectar profundamente a auto-estima da mulher.

As lesões, a vermelhidão e as marcas de descamação são tudo menos estéticas. O que é que uma mulher pode fazer para as minimizar?

Só o tratamento adequado pode ultrapassar as questões estéticas e cosméticas da psoríase. Habitualmente, são lesões tão envolventes e generalizadas que nenhum processo cosmético pode ultrapassar. Felizmente, a psoríase só muito raramente envolve a face.

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