Diagnóstico laboratorial do Mycoplasma genitalium

A presença do Mycoplasma genitalium em doenças do aparelho reprodutor feminino e masculino tem sido comprovada em diversos casos clínicos. No caso de pacientes do sexo feminino tem sido associada a múltiplas complicações obstétricas incluindo infertilidade, aborto espontâneo, morbilidade neonatal e mortalidade perinatal.
créditos: Germano de Sousa

A principal diferença entre as bactérias e os micoplasmas reside na sua génese. Enquanto as bactérias possuem uma parede celular sólida e uma forma definida, os micoplasmas possuem apenas uma membrana flexível e um tamanho reduzido, dificultando assim a sua identificação ao microscópio em comparação com as bactérias. A aderência do Mycoplasma às células humanas é extremamente elevada, não sendo eliminado nem por secreções mucosas nem pelo fluxo de urina.

A deteção precoce desta infeção é assim fulcral e determina a evolução da doença.

Os métodos de microbiologia tradicionais não são recomendados, a análise ao microscópio é dificultada pelo tamanho, o exame cultural e o isolamento é pouco apropriado por ser muito demorado e pouco preciso.

Os testes de amplificação dos ácidos nucleicos, tais como o teste de Reação em Cadeia da Polimerase (PCR), são os únicos métodos com significado clínico por serem muito sensíveis e específicos. Estes são atualmente os métodos para identificar micoplasmas. A Reação em Cadeia da Polimerase é uma técnica de Biologia Molecular que permite a replicação in vitro do ADN de forma rápida, possibilitando que quantidades mínimas de material genético, possam ser amplificadas milhões de vezes em poucas horas, garantindo a deteção rápida e fiável dos marcadores genéticos.

O teste ELISA (Enzyme-Linked Immunoabsorbent Assay) pode também ser usado para detetar a presença de anticorpos específicos no sangue contra a infeção. Nesta tipologia de teste não se pesquisa diretamente a presença do micoplasma, mas sim a existência de anticorpos contra o mesmo. Os anticorpos IgM são geralmente os primeiros a ser produzidos como resposta a uma infeção aguda e são detetados no espaço de uma a duas semanas após a exposição inicial à infeção. Estes permanecem por um período de tempo mais reduzido, normalmente desaparecem entre três a seis meses após a infeção, enquanto os anticorpos IgG predominam por períodos mais longos.

Todos os utentes com sintomatologia sugestiva de M. genitalium e no contexto de infeções sexualmente transmissíveis devem realizar testes de diagnóstico laboratorial para identificação da infeção.

Por Maria José Rego de Sousa, Médica, Doutorada em Medicina, Especialista em Patologia Clínica

Maria José Rego de Sousa, Médica, Doutorada em Medicina, Especialista em Patologia Clínica

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