Conhecer a depressão

Esclareça todas as duas dúvidas acerca desta doença que afeta muitas mulheres

A depressão consiste num distúrbio do estado de ânimo que faz com que os sentimentos de tristeza, perda, ira ou frustração interfiram com a vida quotidiana durante um período de tempo prolongado.

Apesar de afetar muitas pessoas, sobretudo mulheres, esta ainda suscita algumas dúvidas e ideias feitas. Medeiros Paiva, psiquiatra,
elucida-nos sobre esta doença.

Trata-se de uma doença que assenta em alterações morfológicas e bioquímicas do cérebro (das suas células, os neurónios) e que se repercute numa incapacidade funcional e laboral.

Quais os sintomas?

A depressão pode manifestar-se de variados modos, mas tem como núcleo principal a diminuição do humor (tristeza) e falta de interesse por coisas que antes davam prazer (anedonia), incluindo o prazer sexual. A acompanhar estes sintomas, podem ainda estar presentes outros como sentimentos de culpa, diminuição da atenção, da concentração e da memória, alterações motoras no sentido da inibição (lentificação) ou da inquietação (agitação).

A lista inclui ainda cansaço (fadiga) e acentuada falta de forças (adinamia), alterações do apetite (mais frequentemente anorexia e, raras vezes, aumento do apetite) e do peso (emagrecimento e, raras vezes, obesidade), perturbações do sono (insónia ou, menos vezes, hipersónia) e, por fim, pensamentos suicidas.

O que distingue a depressão da tristeza?

A tristeza é um estado de alma comum a todos nós quando algo nos desagrada. Na depressão pode estar presente (a maior parte das vezes) mas é acompanhada por mais sintomas como os acima apresentados.

Quais as formas de tratamento?

Psicofarmacológica (fármacos antidepressivos), psicoterapia (terapia psicológica que tenta ajudar o doente a enfrentar os seus problemas e a reforçar as suas capacidades intrínsecas) e socioterapia (com vista a alterar comportamentos, quer do próprio relativamente aos outros, quer dos seus familiares ou pessoas significativas).

Qual a principal ideia errada em relação a esta doença?

Desvalorizar a gravidade da doença, defendendo que se trata de algo que pode ser ultrapassado pela força de vontade. Aconselhar alguém que sofra de depressão a alterar os seus comportamentos através da sua vontade é o mesmo que forçar alguém a andar com uma perna partida. Neste caso, o que está partido é o cérebro.

Texto: Cláudia Pinto com Medeiros Paiva (psiquiatra)

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