Alérgico, mas a que molécula?

Por Germano de Sousa

O Homem rodeado do seu meio e a forma como a ele reage, nomeadamente no caso da reacção alérgica do doente atópico e do seu diagnóstico, é desde tempos longínquos uma preocupação para os Médicos.

A Imunoalergologia Molecular vem deste modo eliminar os métodos tradicionais de diagnóstico que nem sempre permitem determinar a origem do conhecimento das moléculas de um paciente que provocam a alergia. Neste sentido a alergia a alimentos tem melhorado ao longo dos últimos anos e hoje o conhecimento de moléculas que provocam uma reação alérgica permite que as decisões de diagnóstico e terapêutica sejam mais precisas e eficazes.

Foi no final do século XIX que os testes de provocação a vários extractos alergénicos tiveram o seu início, sendo utilizados com relativo sucesso, fazendo ainda hoje parte da bateria de ferramentas que o Imunoalergologista possui no difícil caminho para o diagnóstico imunoalergológico.

Em 1967, com o aparecimento da determinação laboratorial da IgE total, logo seguida da determinação das IgE específicas, vulgarmente conhecidas como RAST’s, que o teste laboratorial “in vitro”, por oposição ao teste de provocação “in vivo”, se tornou uma rotina na primeira linha do algoritmo diagnóstico das atopias. No entanto, e em virtude da solução tecnológica ao alcance apenas permitir aceder ao extracto alergénico (mistura de componentes alergénicos e não alergénicos, obtidos por extracção aquosa da fonte alergénica), podia não se encontrar a relação directa entre o extracto testado e a fonte alergénica donde derivava, como no caso das situações condicionadas por reactividades cruzadas entre componentes desses extractos.

Já nos finais do século XX, início do século XXI, inicia-se a revolução no mundo da imunoalergologia com o alargamento para o uso na rotina dos testes baseados em componentes moleculares recombinantes e a sua utilização por tecnologia de microarrays que permitem testar 103 componentes moleculares diferentes, oriundos de 47 fontes alergénicas diferentes, sendo composto pelos principais componentes e marcadores de reactividade cruzada.

O Diagnóstico Resolvido por Componentes (Component Resolved Diagnosis – CRD), também pode ser conhecido pelo nome de marca do teste que lhe está subjacente: Immuno Solid-Phase Allergen Chip (ISAC®), é um teste que possui enorme sensibilidade e elevada capacidade de diagnóstico diferencial, nomeadamente para as situações de reactividades cruzadas. Permite fazer o prognóstico da doença e uma melhor selecção de doentes para imunoterapia, assim como escolher e personalizar a imunoterapia.

Na minha atividade de patologista clínico tive o privilégio de ser pioneiro em Portugal da Imunoalergologia Laboratorial, colocando-a ao dispor dos colegas médicos e dos doentes para um melhor e mais específico Diagnóstico Imunoalergológico.

Por Germano de Sousa

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