A flor que pode ser usada para tratar a tensão alta e a artrite reumatoide

Em tempos idos, os índios norte-americanos utilizavam a onagra para tratar úlceras e diversas doenças cutâneas. Em Portugal, as raízes e as folhas desta planta já fizeram parte dos hábitos alimentares.

Círio-do-norte, enotera, boa-tarde, erva-dos-burros, onagrácea e prímula são alguns dos nomes por que é conhecida a onagra. O seu nome científico, Oenothera biennis, deriva da palavra grega oinotheris, que significa flor cuja raiz cheira a vinho. Originária da América do norte, é da família das onagráceas. Esta planta, que pode atingir entre 30 e 150 centímetros de altura, apresenta geralmente um caule ereto, pintas vermelhas, folhas alongadas e dentadas.

As flores amareladas (cornetas) crescem nas axilas das folhas e só se abrem à noite, entre junho e outubro. A onagra contém ácidos gordos insaturados, incluindo ácido linoleico e ácido gama- linoleico, também conhecido como GLA. Noutros tempos, as suas raízes eram utilizadas como legume, cozidas. As folhas jovens podem usar-se nas saladas. As sementes servem para a elaboração do óleo ou usadas na indústria da panificação.

Medicinalmente, esta planta tem sido usada em tratamentos de neurodermite e de arteriosclerose, mas também como anti-inflamatório. Nas últimas décadas, também tem sido administrada para problemas menstruais, problemas de circulação sanguínea, casos de tensão alta e situações de artrite reumatoide. O óleo é utilizado em muitos produtos cosméticos, integrando a formulação de cremes de hidratação e até de suplementos alimentares com fins estéticos.

Folhas e raízes também são comestíveis

Esta planta pode ser aproveitada a nível medicinal, mas também é uma planta que funciona bem como ornamental, decorando canteiros, talhões e vasos em jardins. As raízes e folhas também são comestíveis e eram utilizados na culinária. A sua flor, geralmente amarela, atrai abelhas, borboletas e traças. Em tempos idos, os índios norte-americanos utilizavam esta planta para tratar úlceras e diversas doenças cutâneas.

Em 1619, as sementes foram introduzidas no Jardim Botânico de Pádua, em Itália, passando esta planta a ser mais utilizada na culinária (folhas e raízes) do que na medicina. No início do século XVII, a onagra chegou ao resto da Europa, sendo considerada uma erva daninha. Só o médico britânico Nicholas Culpeper reconheceu as propriedades medicinais no tratamento dos problemas do baço e do fígado.

No entanto, apenas em 1980 se comprovou a existência do GLA, importante na regulação hormonal da mulher. Esta planta, que tem um ciclo biológico bianual (cinco a seis meses meses) ou vivaz (perene) durante três anos, é fecundada e polinizada através de flores hermafroditas. Esta flor tem os dois sexos. As abelhas e outros insetos ajudam na polinização e algumas também são fecundadas por borboletas noturnas.

As variedades de onagra mais cultivadas

As variedades mais cultivadas são a O. Glazioviana, a O. Versicoler, a O. speciosa rosea, a O. fruticosa spp glauca, a O. fruticosa Erica Robin, a O. fruticosa Sonnawende, a O. stricta Sulpurea, a O. Macrocarpa, a African sun, a O. Kunthiana Glowing Magenta e a O. Erythrosepala, conhecida pelas suas flores grandes. A parte mais utilizada, na medicina, na alimentação e na cosmética, são os frutos ou sementes maduras (óleo) e as folhas e raízes (amido).

Veja na página seguinte: As condições ambientais a ter em conta para cultivar esta planta

Comentários