Tem noção do bem que o azeite lhe faz?

O azeite virgem é um sumo de fruta 100% natural extraído da azeitona (Olea europaea) e faz parte dos hábitos alimentares dos povos mediterrânicos desde que toda esta extensa região é habitada. Toda a explicação e os benefícios do azeite pelo médico Pedro Lôbo do Vale.

Os egípcios já o usavam há 6000 anos e era um dos principais produtos comercializados pelos fenícios. Ao longo dos tempos a sua importância resultou das múltiplas utilizações que lhe foram dadas: alimentação, medicina e beleza, por exemplo.

Foi ainda utilizado como combustível para a iluminação, como lubrificante para ferramentas agrícolas e elemento essencial em muitos ritos religiosos. Apesar de durante alguns anos ter sido menosprezado, actualmente tem sido objecto de investigações científicas, cujos resultados comprovam as suas inúmeras propriedades benéficas. É sobre o valor deste alimento que trata o artigo de hoje.

É necessário salientar que existem vários tipos de azeite que dependem das diferentes variedades de azeitona, do seu grau de maturação, do solo e do clima. Para obter um azeite virgem extra, as azeitonas colhidas manualmente devem ser transportadas de imediato para o lagar a fim de evitar a sua fermentação, o que consequentemente aumentaria o grau de acidez. De seguida lavam-se, trituram-se misturam-se com água. No final, o azeite separa-se da água por centrifugação.

Deste processo, denominado de primeira pressão a frio, resulta um azeite de primeira qualidade, garantindo-se a essência das vitaminas e ácidos gordos que o convertem num produto terapeuticamente benéfico. A denominação dos vários tipos de azeite difere de acordo com o teor de acidez. Assim, o azeite virgem não ultrapassa os 2º, enquanto que o azeite virgem extra possui um nível de acidez de 1º. Entre outros, destaca-se ainda o azeite virgem extra especial, com acidez até 0,7º.

Ácidos gordos e propriedades antioxidantes

Basicamente, o azeite é composto na sua maioria por ácidos gordos monoinsaturados (70%), dos quais se salienta o ácido oleico. Este alimento possui outros componentes igualmente importantes como a vitamina E e A e outros compostos fenólicos, que lhe conferem propriedades antioxidantes.

Muitas vezes temos ideia que todas as gorduras (lípidos) nos são prejudiciais. Na verdade, estas são imprescindíveis para a nossa saúde em quantidades adequadas e ingeridas com os restantes alimentos. Refiro-me nomeadamente às gorduras insaturadas (mono e poliinsaturadas) presentes nos óleos vegetais e nos peixes, em detrimento de outras gorduras saturadas de origem animal.

Recomenda-se que a ingestão de gorduras represente cerca de 30% da energia total ingerida ou 35% se esta for procedente do azeite. As gorduras desempenham no nosso organismo funções estruturais, constituem as membranas das células e participam em actividades metabólicas. Os lípidos transportam e permitem a absorção de determinadas vitaminas (A e D) e outros nutrientes.

A importância deste alimento é tal que, ao estudar os hábitos alimentares das diferentes populações, a comunidade médica internacional verificou que a alimentação rica em azeite, nomeadamente dos países do Mediterrâneo, podia estar na base dos níveis reduzidos de colesterol e uma baixa incidência de doenças cardiovasculares dos povos que habitavam esses países, em comparação com os habitantes dos Estados Unidos e do Norte da Europa.

Comentários