Jejum intermitente. Será assim tão mau?

Jejum intermitente consiste em ficar algumas horas do dia sem comer e nada tem a ver com dietas ou regime alimentar. Na realidade, todos os dias fazemos jejum intermitente quando dormimos. E isso é grave? As explicações da farmacêutica Alexandra Vasconcelos.

Muitas vezes estamos 12 ou mais horas sem comer. O pequeno- almoço é a primeira refeição que quebra o jejum, devendo por isso ser a principal do dia. Curiosamente, em inglês chamamos Breakfast, que significa quebra do jejum. Mas será que o jejum deve ser quebrado nos minutos a seguir a acordar?

Muitos estudos mostram que devemos quebrar o jejum somente algum tempo após acordarmos para deixar o corpo reparar-se e produzir algumas hormonas cuja maior produção se dá com o estômago vazio, como a nossa hormona do crescimento implicada no anti envelhecimento. Essencialmente, o jejum intermitente ensina o seu corpo a queimar a gordura acumulada e não apenas glicose (açúcar), como veremos adiante.

Está cientificamente provado que o jejum é benéfico para o nosso corpo?

Desde há muito que se fala dos benefícios do jejum intermitente, o prémio Nobel da Medicina de 2016, cujo tema incidiu na descoberta de mecanismos de autofagia, atribuído ao Japonês Yoshinori Ohsumi, veio mostrar como as células sobrevivem em períodos de jejum e de infeções. Segundo Ohsumi, as células têm a capacidade de envolver em autofagosomas e depois em lipossomas (vesículas que existem no seu interior), toxinas, vírus, bactérias e outros componentes que existem no interior da célula e que devem ser eliminados.

Estes organismo celulares, como têm esta capacidade de fagocitar, eliminam também proteínas problemáticas para o corpo e restos danificados permitindo a reparação e regeneração celular.

Este processo de autofagia constitui uma resposta fundamental da célula e acontece em fases de privação de alimentos ou outras situações de stress celular como as infeções. A autofagia é de extrema importância para a regulação celular, cuja desregulação está implicada no envelhecimento prematuro e associada a doenças cronicas como Parkinson, cancros, diabetes, obesidade entre outras.

Se fizermos uma pesquisa, na biblioteca científica virtual Pubmed por exemplo, encontraremos mais de 1000 artigos que concluem haver benefícios para a saúde na introdução de períodos de jejum durante o dia ou 24 horas de jejum por semana.

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