Jejum intermitente está na moda. Mas emagrece? As explicações de uma nutricionista

O jejum intermitente não deve ser encarado como uma dieta, mas como um método arriscado para perder peso. Conheça os cuidados a ter com as dicas da nutricionista Joana Bernardo, do Hospital Lusíadas Lisboa.

Existem vários padrões de jejum intermitente mas estes são os que estão mais em voga: método 16/8 (16 horas de jejum com refeições com intervalos de 8 horas); método Eat-Stop-Eat (jejuar 1 ou 2 vezes por semana entre uma refeição de um dia e a mesma refeição do dia seguinte); Método 5:2 (em 2 dias da semana fazer uma ingestão de apenas 500 a 600 kcal).

Quais são os riscos do jejum intermitente?

Na verdade, ao longo da evolução do Homem, o nosso organismo foi obrigado a desenvolver mecanismos de sobrevivência e de adaptação ao jejum, uma vez que a disponibilidade de alimentos antigamente não é a mesma que temos atualmente. Estas adaptações são mecanismos utilizados em contexto específico em que consoante o período são utilizadas determinadas fontes de energia para suprir as necessidades do organismo, provocando diversas alterações metabólicas.

Este método ainda causa muita divergência entre a comunidade científica, uma vez que ainda são discutíveis as vantagens deste quando comparado com os métodos tradicionais de perda de peso e ainda se questiona se não será apenas uma moda. Numa fase inicial é um método bastante exigente e difícil de cumprir e que pode causar diversas alterações como: fraqueza muscular, cansaço, alterações de humor, irritabilidade, desidratação, desequilíbrios hidro-electrolíticos.

Este é um método que implica uma monitorização rigorosa com um nutricionista, uma vez que se não for bem estruturado poderá comprometer o estado nutricional do indivíduo e provocar carências nutricionais como vitamínicas e minerais ou mesmo de macronutrientes (proteína, lípidos e glícidos).

O jejum intermitente emagrece?

Os estudos científicos nesta área ainda são escassos e as metodologias utilizadas são diversas e distintas, o que dificulta a sua compreensão e aceitação dos resultados. Além disso, a maioria dos estudos são realizados em animais, na maioria ratos, cujas principais diferenças são o tamanho e a superfície corporal, mas também o facto de serem animais notívagos.

De facto, este método poderá ser uma forma atingir a perda ponderal pretendida, contudo não deve ser encarado com um milagre, uma vez que este método não tem em conta o que se ingere, mas o momento da sua ingestão. Aquilo que se verifica é uma restrição calórica em indivíduos com excesso ponderal.

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