Camarão + vitamina C = veneno fatal?

O mito e a verdade

Uma informação que anda a circular por e-mail alerta para o perigo mortal de ingerir vitamina C e camarão em simultâneo.

Descubra a verdade por trás deste suposto alerta de saúde.

O mito

Em Taiwan, uma mulher morreu de repente com sinais de hemorragia nos ouvidos, nariz, boca e olhos.

Depois da autópsia, foi identificada como causa de morte envenenamento por arsénico, produzido acidentalmente no estômago da vítima devido à ingestão simultânea de vitamina C e camarão. A explicação? O camarão contém alta concentração de 5-potássio-arsénico, que, na presença de vitamina C, se converte no tóxico 3-potássio-arsénico, popularmente conhecido como arsénico.

A verdade

De acordo com Lôbo do Vale, médico de clínica geral, «a notícia que refere a morte de uma jovem após ingestão conjunta de vitamina C e camarão não é acompanhada de qualquer tipo de fundamento científico. Aliás, a notícia circula na internet desde 2001 e, a ser verdade, seria de esperar uma acção das autoridades de saúde a nível local e mundial, o que, em nove, anos não aconteceu».

De acordo com o especialista, «os principais problemas associados à ingestão de camarão devem-se, normalmente, a reacções alérgicas, que podem ser extremas e até mesmo resultar em choques anafiláticos. Estes, quando não socorridos atempadamente, podem, sem dúvida alguma, originar a morte. No entanto, a junção de camarão com vitamina C não parece estar associada a nenhum malefício para a saúde».

Para refutar esta teoria, Lôbo do Vale relembra «as inúmeras receitas que associam alimentos como a laranja, os espinafres, o ananás e o limão [ricos em vitamina C] ao camarão, sem qualquer registo histórico de mortes associadas. Ou a suplementação alimentar com vitamina C, durante o Inverno, para prevenção de constipações, que é, sem dúvida, benéfica e não tem contra-indicações nem interacções conhecidas associadas à ingestão de camarão ou outros tipos de marisco».

«Trata-se, a meu ver, de mais um mito criado em redor da alimentação e, carecendo de sustentação científica adequada, não merece preocupação no que à segurança das pessoas e à saúde pública dizem respeito», refere ainda este especialista.


Texto: Fernanda Soares
Revisão científica: Pedro Lôbo do Vale (médico de clínica geral e docente no mestrado de nutrição da Faculdade de Medicina de Lisboa)

Comentários