Mais desporto ao ar livre e regresso às praias aumentam risco de cancro da pele

Estima-se que em 2013 vão surgir mais de 10 mil novos casos de cancro da pele
8 de maio de 2013 - 14h33



As miniférias e o desporto ao ar livre são fenómenos em crescimento em Portugal, mas que aumentam o risco de contrair cancro de pele, alerta um inquérito da Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo (APCC), hoje divulgado.



De acordo com inquéritos realizados em escolas e praias, com mais de 2.500 crianças, que comparam as respostas de 2012 com as dadas em 2004, as crianças são hoje em dia mais protegidas, não só na praia, mas também em ambiente escolar, disse à Lusa Osvaldo Correia, secretário-geral da APCC.



“Há um maior comportamento preventivo no horário em que se faz ginastica ao ar livre evitando horário critico, e na escola os mais pequenos já usam mais chapéu e protetor solar”, afirmou.



No entanto, esta realidade não é extensível aos adolescentes e até mais velhos, uma vez que estes revelam até comportamentos contrários: não só não se protegem, como se expõem exageradamente para “ficarem queimados”.



Os resultados do inquérito revelam, contudo, que, apesar de haver uma maior preocupação em proteger as crianças, estas continuam a “não percecionar que o sol é igual em todo o lado”.



“Na escola é preciso ter cuidado, tal como na praia. As próprias crianças não se apercebem de que a roupa, o chapéu e a sombra são mais importantes do que o protetor”, acrescentou Osvaldo Correia.



Roupa e chapéu



Para este dermatologista, o uso do protetor “não pode ser usado como falsa segurança” e é fundamental usar chapéu, preferencialmente de abas largas, e roupa que proteja os braços e o decote, até mesmo como “saída de praia”.



O responsável afirma ainda que há um maior uso de protetor, mas também maior recurso aos leites mais fluidos e aos sprays, que não têm uma proteção tão eficaz.



Por isso, “é necessário que as pessoas renovem esses protetores mais vezes” e, no caso do spray, em particular, mesmo com uma proteção elevada, o índice de proteção real é menor do que 10.



“As pessoas aplicam o protetor em casa e não o renovam, quando a renovação deve ser feita no máximo de duas em duas horas. Mesmo no dia-a-dia”, sublinhou.



Osvaldo Correia destacou ainda dois fenómenos que estão em crescimento, mas que não estão a ser adaptados adequadamente à exposição solar: as miniférias e o desporto ao ar livre.



Quanto às “férias relâmpago”, sobretudo para países tropicais, provocam muitas vezes choques térmicos, porque as pessoas não se protegem devidamente e não fizeram uma adaptação gradual ao sol – na varanda, na rua – como deveriam fazer.



Desporto ao ar livre



O desporto ao ar livre, nomeadamente as corridas e maratonas na cidade, também expõem demasiadamente os atletas ao sol, pelo que o protetor e o chapéu são altamente recomendados.



Ao nível da prevenção secundária, Osvaldo Correia considera fundamental que as pessoas façam o auto-exame, com ajuda de profissionais, e destaca aqui a importância do papel do médico de família. A APCC quer fazer sensibilização dos médicos para que promovam a vigilância do cancro da pelo, como é hoje vigiado o cancro da mama.



O responsável apela ainda à aprovação de novos fármacos que existem já para prolongar a vida de pessoas que têm cancro cutâneo.



No dia 15, dia do Euromelanoma, 34 serviços de dermatologia, que se disponibilizaram, vão estar a fazer a divulgação e rastreio do cancro cutâneo.



Estima-se que em 2013 vão surgir mais de 10 mil novos casos de cancro da pele, dos quais mais de 1.000 novos melanomas. Destes, 10% a 15% morrerão de melanoma dentro de 5 anos.



A cura pode ser possível em 90% dos casos com diagnóstico precoce, mas se for tardio, não é possível.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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