Dicas para construir a sua garrafeira para impressionar - Parte III

Queremos finalizar este capítulo, sim porque já percorremos as regiões mais populares, Alentejo e Douro, e agora as ultimas compras vamos dividi-las por três regiões, Dão, Tejo e Lisboa.

A região do Dão é rodeada por montanhas em todas as direções, assente em solos graníticos muito pobres, estende as suas vinhas dispersas entre pinhais a diferentes altitudes, desde os 1.000 metros da Serra da Estrela até aos 200 metros das zonas mais baixas. A demarcação desta Região celebrou 100 anos em 2008. Possui um clima que embora sendo temperado, é, no entanto, bastante frio e chuvoso no Inverno e, frequentemente, muito seco e quente no Verão.

Tudo isto, torna os vinhos brancos bastantes aromáticos, frutados e bastante equilibrados e os tintos bem encorpados, aromáticos e podem ganhar bastante complexidade após envelhecimento em garrafa.

Nas castas tintas, para além da Touriga Nacional, salientam-se o Alfrocheiro, Jaen e Tinta Roriz, para além das pouco valorizadas Baga, Bastardo e Tinta Pinheira.

Mas, o primeiro vinho que vos trago é produzido de outra casta, a Inconnu, conhecem? Os produtores são um casal franco-português, Casimir e Christelle, que decidiram deixar a sua vida em França, para abraçarem uma nova aventura, produzir vinhos na centenária Região Demarcada do Dão. Com uma visão “francesa” do mundo do vinho, utilizando técnicas modernas, mas respeitando a tradição local, elaboram o que eles chamam “Vinhos com Sotaque”.

Este FONTE DE GONÇALVINHO Inconnu Tinto 2010 surge fruto de uma seleção de uvas por parte do casal e do enólogo, e numa das primeiras provas alguém disse... “mas o que é isto?” E por mero acaso foi sempre designado como “????”, mas ninguém revelou o que ali estava e assim permanecerá a sua história… incógnita para todos. Uma história apenas para se apreciar com prazer…

Fonte de Gonçavinho

Como já perceberam a casta não existe, mas estamos na presença de um vinho elegante e com fruta madura evidente no nariz, notas balsâmicas e madeira muito bem integrada. Na boca é encorpado, volumoso, com taninos firmes, mas bem redondos, num equilíbrio perfeito. O final de boca é longo, persistente e delicioso.

Prosseguimos na mesma região com Julia Kemper que já dispensa apresentações, assim como os seus vinhos! O JÚLIA KEMPER Touriga Nacional 2010 já recebeu inúmeras distinções nacionais e Internacionais, entre as quais a seleção de Olly Smith para os 50 melhores vinhos para o Reino Unido ou a medalha de Ouro do IWC em 2013.

vinho julia kemper

No que diz respeito aos aromas revela rosmaninho e violetas, fruta preta bem madura, com boa tosta, pão torrado e notas de café torrado. Os 12 meses em barricas de carvalho francês transmitem ao vinho, corpo, grande estrutura para muitos anos de longevidade, muita vida, frescura e acidez. Final é longo, com elegância e termina com ligeira secura. Grande expressão da casta, um conjunto bem harmonioso. Um grande vinho para acompanhar o prato que propomos. Está demais!

Mudamos de região, para o Tejo, e para um vinho de uma casta das mais conhecidas internacionalmente, a Pinot Noir. A história do produtor, João M Barbosa, é recente se compararmos com algumas empresas portuguesas, mas a experiência pessoal adquirida já é muita. E é fruto dessa experiência que nasceu o projeto com um conceito sui generis que promete oferecer o melhor e surpreender os amantes do vinho. Nesta empresa onde colaboram todos os membros da família e onde a dedicação é total, trabalha-se para produzir o melhor, o original, o que a terra dá. Aqui, na Adega Porta de Teira, em Rio Maior, produzem-se vinhos autênticos e diferentes.

Este NINFA Escolha Pinot Noir Tinto 2011,com características de um Pinot Noir de clima moderadamente frio, cheio de textura e equilíbrio, rico, com complexidade e profundidade de aromas. Aromaticamente delicado, subtil mas cheio de nuances, ora de frutos vermelhos ora de aromas mais terrosos complementados sempre por um traço de ervas aromáticas e especiarias muito bem integrado. O estágio que teve em madeira transmite grande profundidade aromática e uma boa complexidade ao conjunto. Equilíbrio de frescura e volume, delicadeza e exuberância. Tem um final de boca de bom comprimento.

 vinho ninfa

E agora finalizamos com um clássico da região de Lisboa, da Quinta do Monte d’Oiro que é uma referência desde o séc. XVII na produção de vinhos notáveis. Este QUINTA MONTE D'OIRO Reserva Tinto 2010, é um vinho com grande presença aromática, com imponente fruta madura, pimenta preta, madeira de grande qualidade muito discreta e perfeitamente integrada. Na boca impressiona pela textura de veludo dos taninos, a barrica não se sente, vigor e elegância dão as mãos no final firme e muito longo. Produzido a partir de 95% Syrah e 5% Viognier, este Reserva estagia 18 meses em barricas novas de carvalho francês e 15 meses em garrafa antes de sair para o mercado.

Vinho quinta do monte doiro

Leia também as partes I e II deste Dicas para Construir a sua Garrafeira para Impressionar

Parte I - A garrafeira familiar é um desafio de grande interesse, quer pelo prazer que pode proporcionar a sua organização e manutenção, quer pela economia que pode representar a aqui­sição do vinho em boas condições.

Parte II - Para além das dicas e curiosidades, vamos sugerir vinhos que nos mostram o que é o Douro.

José Faria
Sommelier OUT OF THE BOTTLE

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