Na cabeça de um adolescente

David Bainbridge, professor e investigador, explica em entrevista como lidar com jovens nesta fase

Concorda que adolescentes e adultos são, até certo ponto,
incompatíveis? Descubra o porquê e como superar os problemas que surgem.

Incompreendido. Esta é a palavra
que parece definir o comportamento
de um adolescente, que nunca se
levanta a horas, pensa ser imortal
e dá um sentido muito próprio ao
termo irresponsabilidade.

Com três
filhos, David Bainbridge, professor
e investigador, quis «escrever um
livro acerca de adolescentes que fosse
positivo» e, por isso, voltou-se para
a ciência. O autor considera que a
adolescência é o pico da evolução
humana e que os adolescentes são a
razão de ser dos adultos, cuja função é
cuidar dos primeiros.

Esta é também
a oportunidade de percebermos o que
se passa no corpo de um adolescente,
a relação com o seu comportamento e
aquilo que parece funcionar ou falhar no
nosso relacionamento com os jovens.

Qual é a importância das
experiências que adquirimos
durante a adolescência para o nosso
desenvolvimento?

Considero que são extremamente
importantes. De acordo com a
psicanálise clássica, a infância é uma
fase central. Mas já não acreditamos
nisso. Existem tantos comportamentos,
complexos sociais, sexuais e românticos
que ocorrem na adolescência… Pode ser
muito difícil desaprendê-los quando
somos adultos.

Em que diferem a mente e o
raciocínio adolescentes da mente
e raciocínio adultos?

O cérebro adolescente está a passar por
uma reconstrução extraordinária para
desenvolver a sua forma adulta.
Mas muitos dos seus aspectos refletem
traços benéficos que estão invulgarmente
bem desenvolvidos, como a criatividade,
a abstração, a intensidade emocional,
a capacidade de correr riscos. Adultos e
adolescentes pensam realmente de forma
diferente.

As hormonas são as únicas
responsáveis pelo comportamento
tipicamente adolescente?

A maioria dos nossos comportamentos
é intrínseca ao cérebro e, por causa disso,
as hormonas têm pouco efeito. De facto,
cérebro e comportamento desenvolvem-se
de forma independente da puberdade. Todos sabemos, por experiência
própria, que a chegada da puberdade não
afeta muito a maturidade mental.

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