A criatividade revela-se a brincar mas precisa de ser estimulada

A partir do primeiro ano de vida, os pais devem começar a puxar pelos filhos. Saiba porquê e siga os conselhos dos especialistas.

Podem ser pequenos mas têm de começar a ser espicaçados desde a mais tenra idade. Um estudo norte-americano divulgado em maio de 2017 defende mesmo uma abordagem na pré-primária com o rigor do ensino universitário. Os especialistas acreditam que uma exigência elevada e um grande número de atividades paralelas podem melhorar a linguagem, a capacidade de aprendizagem e até o poder criativo dos mais pequenos.

Os pais podem começar a estimular a criatividade dos seus filhos a partir do primeiro ano de vida, defendem mesmo alguns especialistas. Clementina Almeida, disse, enquanto psicóloga e diretora do projeto forBabies, em declarações à revista Saber Viver, que esse é um período especialmente fértil, porque o desenvolvimento cerebral está «muito dependente do mundo que rodeia o bebé, por isso, devemos expô-lo a novas experiências, brincando com ele, lendo histórias».

É muito importante que as crianças brinquem. Afinal, nas palavras de Albert Einstein, físico alemão do século XX, «brincar é a mais elevada forma de investigação». No entanto, a psicóloga diz que há pouco espaço para a criatividade infantil e tece uma crítica ao sistema educativo.

«A escola restringe a habilidade das crianças serem criativas, com demasiadas atividades numa agenda tão ocupada, com pouco tempo para brincar, explorar o mundo, ficar aborrecidos, conquistar, falhar, ultrapassar o fracasso», afiança a especialista portuguesa. «Tudo o que precisam para se desenvolverem em harmonia», conclui Clementina Almeida.

Dicas práticas

De acordo com um relatório da UNICEF, «a família deve estimular a criança a criar  e valorizar o que ela faz». Veja, de seguida, o que pode fazer para promover a criatividade dos seus filhos:

- Em casa, disponibilize um espaço com alguns jogos e materiais variados para os seus filhos poderem brincar, desenhar, pintar e criar objetos.

- Quando estiverem a brincar não dê instruções, deixe-os seguir o seu próprio raciocínio.

- Faça com que os mais novos se sintam à vontade, porque tendem a dar largas à imaginação e a exprimir melhor a sua criatividade quando têm liberdade para criar algo ao seu próprio ritmo.

- Mostre que o dia a dia está repleto de sons, ritmos e melodias, preferencialmente com exemplos. Pode recorrer a um relógio a funcionar, à chuva a cair e por aí fora…

- Proporcione às crianças oportunidades para produzirem danças, canções e músicas ou outras manifestações artísticas.

- Tenha livros e revistas à mão, para os seus filhos terem contacto desde cedo com essa forma de comunicar ideias, pensamentos e informação.

- Leia-lhes histórias repletas de magia e aventura, pois incentiva os pequenos a quererem ler e escrever.

- Ainda que forneça boa informação, a televisão não substitui outras atividades.  É importante que os pais expliquem à criança o que vê na televisão, especialmente quando os valores transmitidos são contrários ou entram em conflito com os da família.

- Leve os seus filhos a museus e livrarias.

- Cultive o pensamento crítico dos seus filhos, perguntando-lhes como abordariam uma questão e/ou que solução propunham para um problema.

- Inscreva os seus filhos em workshops. Encontra cursos e ações para estimular ainda mais a sua criatividade em instituições como a Ar.co, a Casa da Música, a Fundação Calouste Gulbenkian, a Fundação Serralves, o Museu de Arte Antiga ou o o Museu do Oriente.

Texto: Luis Batista Gonçalves e Filipa Basílio da Silva

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