Co-sleeping: Sim, Não ou Nim?

Prós e contras do co-sleeping “planeado”, do co-sleeping por “ acidente” e do “co-no-sleeping”

Por Carolina N. Albino

Especialista em Ritmos de Sono do Bebé

 

 

O co-sleeping é defendido por muitos como sendo a fórmula que transmite a maior segurança ao bebé e à criança. É defendido por seguidores do “método contínuo” que afirma, de forma lata, que o bebé após o nascimento deve continuar como extensão do corpo da mãe, para minimizar o trauma do nascimento (a primeira separação física). O “método contínuo” poderá entrar em eventual rutura em famílias que o apliquem sem profundo conhecimento das suas implicações, à medida que o bebé cresce, numa sociedade, que sendo boa ou má, é aquela em que vivemos.

Por vezes, os pais sentem um deslumbre por metodologias que os aproximam de vivências mais naturalistas, algumas mesmo de índole tribal, pela sua proximidade ao desejo idílico de vida (perfeitamente desejável e compreensível) começando hábitos que na prática não podem, ou não conseguem, sustentar - seja porque terão de regressar ao trabalho sem os filhos, seja assumindo a necessidade de ter momentos sós, enquanto adultos e casal, etc.). O desequilíbrio e “desilusão” para bebés e pais pode dar-se aqui mesmo.

É justo que para a noção de segurança emocional do bebé, os pais possam aproximar aquilo que começam a dar “hoje”, àquilo que planeiam conseguir manter, no mínimo, no futuro próximo (em especial, seja quando a criança tiver um irmão, for para a creche, ou um dia para a escola). É bastante compreensível que se o bebé aprender que só é seguro dormir com a Mãe/Pai, apenas com eles se sinta confiante assim, ou no mínimo em companhia - esperando essa companhia para o total número de horas que durma. Se os pais não estão certos que querem que o seu bebé aprenda apenas a sentir-se seguro em “extensão “ do corpo da Mãe, à medida que cresce, deverão “jogar pelo seguro” relativamente à proteção das emoções do bebé.

É necessário o entendimento dos pais que o mimo, a atenção, e o amor indispensáveis, não são movimentos exclusivos apenas do momento de dormir. O amor a compreensão, a atenção e mimo, devem estar presentes em todas as expressões da educação e em todos os momentos da relação sob variadas formas em respeito do contexto, todos os dias e durante o seu crescimento. Um bebé não é mais amado que outro porque passa o dia inteiro ao colo dos pais, ou dorme com os pais. Amar um filho é querer o melhor para ele hoje e sempre, e não apenas no próprio minuto. Mas se os pais apenas conseguem garantir o apoio e a estruturação emocional através da proximidade física, por exemplo durante a noite de sono - seja porque não têm outro tempo de contacto, seja porque não sabem como fortalecer esse pilar no dia-a-dia, para além do momento de ir dormir - talvez o co-sleeping seja uma ferramenta importante (e talvez indispensável) para que a criança não cresça emocionalmente negligenciada. Cada família saberá gerir as suas prioridades, possibilidades e o equilíbrio entre elas.

Os pais devem sempre decidir com consciência e perspetiva, como desejam o sono de “amanhã” para poderem planear e estruturar esse ensino e começá-lo cedo na vida do bebé, com coerência:

- Se desejam dormir de hoje em diante sempre com o bebé e depois criança, devendo permitir que seja a própria criança a decidir quando quer deixar de o fazer: doutro modo poderá sentir-se “despromovida” por razões que não compreende - o que poderá afetar o laço de confiança com os pais.

Ou

- Se preferem ensinar um padrão de sono em que o bebé aprende a sentir se seguro para adormecer e dormir de forma autónoma na sua cama, visto ser onde os pais esperam que ele venha a dormir bem e seguro, todos as noites, daqui para a frente – o que pode ter como exceção (normalmente bem aceite) dormir com os pais em dias especiais ou de pontual necessidade.

É muito relevante traçar a “rota” escolhida. Acima de tudo esta decisão consciente vai ajudar a prevenir uma tendência aleatória de respostas ao bebé – quando os pais experimentam, de forma não consistente, várias alternativas para perceber o que funciona melhor, pois a aleatoriedade e o “experimentalismo” são algumas das causas de insegurança no bebé.

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