Sara Matos: «Recebemos o que damos»

Sara Matos revela a maturidade de uma estrela, aos 27 anos.

Sara Matos: Recebemos o que damos
créditos: Pedro Loureiro

Revista Saúda – Faz teatro desde os dez anos. Já queria ser atriz?

Sara Matos – Não sei se seria uma certeza. Não era uma coisa muito fortalecida como passou a ser a partir dos 15 anos, na Escola Profissional de Teatro de Cascais. Mas lembro-me de ter dez anos e a minha mãe perguntar-me que atividade eu queria fazer… Fiz um curso de expressão  dramática.

RS – Tinha outras paixões?

SM – Muito antes de ser atriz, acreditava ter um dom para ser atleta. Adorava! Sempre tive muita noção do meu corpo e alguma facilidade nas aulas de educação física, era muito coordenada. Mas escolhi expressão dramática.

RS – Ainda se lembra da sua primeira vez em palco?

SM – Lembro. Tinha 11 anos e foi na Casa do Artista. Estava nervosíssima, metade das pessoas não ouviu nada do que eu disse.

RS – Como aconteceu a participação nos “Morangos com Açúcar”?

SM – Já tinha tido algumas experiências de casting mas quando me chamavam para uma segunda fase a minha mãe nunca me deixava ir. Deu-me a hipótese de meter-me à prova, saber se conseguia desempenhar aquela personagem, mas eu tinha de formar-me primeiro. Ia fazer por uma questão de gozo, de saber se seria capaz. O casting para os “Morangos com Açúcar” foi o primeiro para televisão. Houve uma segunda fase e eu passei, houve uma terceira, uma quarta e uma quinta, e só aí fui escolhida para protagonista.

RS – Continuava a fazer teatro?

SM – Sim, fiz a Escola Profissional de Teatro de Cascais e, depois, o Conservatório de Teatro e Cinema, enquanto trabalhava à noite no projecto “Novos Actores”. Ou seja, muito nova chegava a dormir seis horas por noite. Mas era aquilo de que gostava, era o meu sonho. Estava muito feliz.

RS – E como foi a experiência nos “Morangos com Açúcar”?

SM – Foi espetacular, dos melhores projectos em que participei, uma novidade em todos os sentidos. Vi-me pela primeira vez em televisão. Tive inúmeras conversas com os meus pais sobre o que vinha aí. Porque não é só uma personagem, não é só um salto… É uma diferença grande, mesmo em termos pessoais. E isso teve de ser conversado antes. Foi muito interessante para o meu crescimento poder ter estas conversas, apesar de ser tão nova.

RS – Como eram essas conversas?

SM – Tinha 18 anos e a minha mãe avisava-me que é preciso ter muita calma. Falamos sempre em como vamos reagir quando as coisas correrem mal. É verdade, temos de nos preparar para isso. Mas como vamos lidar quando as coisas nos correrem excessivamente bem? O sucesso também pode ser uma coisa muito ilusória. E se não temos cuidado, podemos achar-nos um bocadinho mais do que somos.

RS – Quais os valores essenciais transmitidos pelos seus pais?

SM – Os mais importantes são a humildade e generosidade. Há ali uma filosofia de vida muito ligada a energias. Eles ensinam que o que dermos aos outros vamos receber também.

RS – Surgiu a primeira novela na TVI. Sentiu mais responsabilidade? Não senti muita diferença.

SM – Quando comecei a fazer o “Anjo Meu”, a única diferença era o público. Era uma novela de horário nobre.

RS – Entretanto, no teatro, interpretava o “Closer”.

SM – Sim, no Casino Estoril. Também foi uma experiência espetacular. De repente, em vez de ter dez pessoas no público, houve uma sala cheia, quase com 200 pessoas, e isso enchia-me a alma.

RS – Recebeu um prémio na categoria de Melhor Atriz. O que significou?

SM – Foi o meu primeiro prémio e era de teatro. Para mim era maravilhoso, porque não estava à espera de ter investido tanto em televisão e ser congratulada pela outra área. Fiquei mesmo muito feliz. Foi mais um passinho.

RS – Tem preferência pelo teatro ou pela televisão? São paixões diferentes?

SM – É a mesma paixão, representar, e as diferenças são várias. Mesmo os níveis de adrenalina são outros. Na televisão são muito mais horas e muito menos tempo para as coisas. Em teatro, são menos horas de trabalho e, no entanto, temos mais tempo para construir uma personagem.

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