Cambo Gardens

Descubra os segredos de um dos mais belos jardins escoceses

Escócia, Saint Andrews, maio de 2011. Dez dias gloriosos
de sol ininterrupto, uma coisa rara e nunca vista
por estas bandas, depois de um dos invernos mais
agrestes de sempre, que levou as neves até ao mês
de março.

Os escoceses parecem não se importar. Basta um raiozinho de sol para saírem à rua as sandálias,
os shorts, as t-shirts de manga curta.


Os pubs transbordam para os passeios e as esplanadas
crescem como cogumelos. Só eu ando de
botas e blusão porque, para mim, 12ºC de
temperatura máxima, com ou sem sol, é inverno. Mas a verdade é que esta Escócia, limpa,
arrumada, de terra fértil e vegetação generosa,
nos põe em paz com nós próprios e o mundo.
É um spa mental.

Fui visitar os Cambo Gardens, perto de Saint
Andrews, propriedade da família Eskine desde
1688, tendo a casa original sucumbido a um
incêndio e sido totalmente reconstruída em 1880.
Em termos britânicos, é uma casa recente mas,
apesar disso, muito difícil de manter, já que conta
com o intimidante número de 100 quartos.

Os atuais proprietários, Lady Catherine e Sir Peter Eskine, puxaram pela imaginação e, em vez
de aguardar os habituais subsídios tão populares
na nossa rica pátria, inventaram formas para atrair
visitantes, gerar fundos e conseguir assim manter
o estate no nível de dignidade a que estava habituado
num passado mais próspero.

Cambo tem inúmeros atrativos para uma visita
e são um dos passeios mais bonitos por terras
escocesas. Catherine é uma jardineira emérita e
conseguiu lá estabelecer a maior coleção nacional
de galanthus.

No mês de fevereiro, a principal
atração desta agreste área de Fife é o «Snowdrop
Spectacular», um espetáculo de som e luz noturno
que oferece ao público a possibilidade de admirar
a coleção em condições completamente
diferentes do habitual. Como ter visitantes durante
o mês de fevereiro não constituía uma receita
suficiente, Catherine alargou os atrativos do jardim
a um festival de túlipas na primavera e a um
festival de rosas no verão.

No outono, o jardim é sobretudo admirado pelas suas herbáceas. Há apenas dois jardineiros permanentes e toda
a manutenção da propriedade é conseguida por
voluntários vindos dos quatro cantos do mundo.

O festival de túlipas tinha, este ano, cerca de
6.500 bolbos plantados. Amarelas, roxas, laranja,
encarnadas e até pretas, só vi túlipas em tal profusão
quando visitei o Keukenhof, na Holanda.
Mas Cambo tem também uma magnífica
zona de floresta, onde impecáveis caminhos bem
cobertos de mulch proporcionam um passeio
fácil de caminhar e magnífico de ver e onde se encontra
outra das atrações, uma família de porcos.


Veja na página seguinte: As condições que fazem toda a diferença

Todos com nome próprio e tratados como animais
de estimação, que se encarregam de comer os
rizomas de uma hera invasiva que ataca os bolbos
dos galanthus.

Uma boa sinalização, B & B, um salão de
chá, venda de plantas (sobretudo os bolbos dos
famosos galanthus) e uma bem equipada loja, com
merchandising baseado na imagem das pequenas
florinhas brancas, completam uma estratégia
inteligente para sobreviver nos dias de hoje com
uma propriedade sobredimensionada e sem
agricultura. A recompensa são 25.000 visitas anuais com
entradas a 5 £ (cerca de 5,60 €). Rule, Britannia!

Texto: Vera Nobre da Costa

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