Os 10 mandamentos do arquiteto Gonçalo Ribeiro Telles para a criação de um jardim

Os conselhos de um dos mais prestigiados arquitetos nacionais para conseguir um espaço de fruição que respeite as normas de integração paisagística

É um dos mais reconhecidos e premiados arquitetos portugueses. Criou os emblemáticos jardins da Gulbenkian e de Amália Rodrigues e bateu-se pela construção do corredor verde que liga o centro de Lisboa até ao pulmão da cidade, o Parque Florestal de Monsanto. A Federação Internacional dos Arquitetos Paisagistas distinguiu-o com o prémio Sir Geoffrey Jellicoe, um dos prémios que recebeu ao longo da sua já vasta carreira. Estas são algumas das regras que o especialista defende para a criação de um jardim sustentável:

1. Aposte na sublimação do lugar, «tornando-o feliz e ameno», recomenda Gonçalo Ribeiro Telles.

2. Invista em lagos e charcos. «A presença da água, traduzida na sua serenidade estética, confere um movimento ritmado e uma dinâmica musical ao jardim», assegura o arquiteto.

3. Arrisque em espécies que podem fazer a diferença, para sublimar «a pujança da natureza compreendida na sua diversidade biológica e no ritmo de vida», aconselha o especialista.

4. Tire partido da luminosidade natural dos espaços. «O esplendor da luz é conseguido através do contraste sombra-claridade e da harmonia das cores», explica Gonçalo Ribeiro Telles.

5. Deixe-se influenciar pela geometria, apostando na «profundidade das perspetivas e o recorte dos sucessivos planos conseguindo valorizar distancias e formas», esclarece.

6. Olhe à sua volta. «A integração na paisagem envolvente, sempre que esta seja ordenada e bela», como esclarece Gonçalo Ribeiro Telles, deve ser sempre uma prioridade.

7. Não imponha uma visão que pode não ser a mais adequada. «Aceitar com base da conceção do jardim ou da paisagem a ordem natural da natureza liberta da aceção da sociedade humana» é outra das recomendações do arquiteto.

8. Valorize os aspetos culturais da paisagem. Tal implica «impor à ordem natural a ordem cultural que sublimará aquela em face do seu único utente, o homem», afirma o especialista.

9. Evite os excessos. Esta recomendação passa por «exaltar no jardim ou na paisagem a simplicidade no ordenamento das coisas, evitando a decoração pela decoração», alerta Gonçalo Ribeiro Telles.

10. Planeie e não tenha medo de recorrer a ajuda especializada. «Um jardim e uma paisagem são fruto de conceções e projetos e nunca de arranjos ou decorações, pelo que a sua grandeza e beleza resulta no que lhes é essencial na medida certa», afirma o arquiteto.

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