Guia para instalar um relvado

10 passos essenciais para ter uma zona relvada no seu jardim

Os dias mais aprazíveis pedem momentos de lazer e de convívio familiar no exterior. Se tem terreno em redor da sua casa ou até mesmo um pequeno terraço, crie uma zona relvada para aproveitar melhor esse espaço.

A instalação de um relvado exige algum esforço mas também não é propriamente algo do outro mundo. Siga as dicas da engenheira agrónoma Ana Caldeira Cabral e economize, instalando um relvado sem ter de contratar uma empresa de jardinagem.

1. Certifique-se que tem o substrato mais indicado para a sua relva

Esqueça a terra preta, o que a relva gosta em termos de substrato é areia, para sua segurança areia de rio lavada, para evitar a contaminação com infestantes e a presença de materiais de natureza granulométrica fina, como argilas e limos, os conhecidos finos nas areias. A granulometria da areia deve situar-se a 90% entre 0,5 e 2 mm e a sua natureza não deve ser calcária. Não se preocupe que os areeiros, como fornecem a areia para construção, têm sempre estas análises feitas às suas areias.

Para conferir ao substrato capacidade para reter água, será conveniente misturar a areia com turfa castanha ou vermelha, numa proporção de 8-9 partes de areia para 2–1 parte de turfa (seca) misturadas previamente ou no terreno, em volume. A camada de substrato onde assenta a relva deve ter uma espessura entre 20 a 30 cm e se o fundo da caixa onde vai estra o relvado não for permeável então não se esqueça de prever drenagem.

2. A escolha do relvado adequado para si

Lembre-se que existem relvas adequadas às diferentes condições climáticas, características da zona de instalação e até ao uso que lhe pretende dar.

3. Não descure o sistema de rega automático

Esqueça as boas intenções de regar a relva à mangueira ou mesmo com aspersores ligados a mangueira colocados por si, o gasto de água é muito mais elevado e a uniformidade da rega é extremamente deficiente. Se quer um relvado, então instale um sistema de rega por aspersão e que tenha em conta os restantes elementos do seu jardim, uma vez que é o sistema de rega que tem que ser adaptado à existência de árvores, arbustos e herbáceas no seu jardim e não o contrário.

4. Avalie bem as opções em termos de instalação

Não se deixe enganar pela diferença de custos entre semear e colocar tapete de relva. Lembre-se que para um tapete de relva estar pronto para o seu relvado demorou pelo menos seis meses a crescer no viveiro. Quando comparar os custos não deixe de entrar em linha de conta com o tempo necessário para o relvado estar pronto a ser utilizado, como os custos de limpeza de infestantes, ressementeiras e suscetibilidade a doenças, bem como tolerância a eventuais secas, provocadas pelas quase inevitáveis anomalias do sistema de rega, entre outros fatores.

5. Instale o seu relvado quando tiver tudo devidamente preparado e acautelado

Lembre-se que quando semear ou instalar o tapete de relva o sistema de irrigação deve estar montado e testado, o substrato adubado, deve ter todo o equipamento necessário pior forma a que a instalação seja o mais rápida possível.

6. Faça uma programação das operações de corte

Se optar por tapete de relva pode cortar a relva uma semana depois de instalada, se optar por semear o primeiro corte depende do crescimento da relva e do recobrimento do terreno, os primeiros cortes são dados tipicamente com a relva a 10 a 15 cm de altura. Lembre-se que o corte não deve remover mais do que 1/3 da folha. O abaixamento do corte deve ser gradual e demora bastante no caso de relva semeada. No caso de relva em tapete ao fim de dois ou três cortes já pode manter a relva entre 2 a 3,5 cm, dependendo da relva que escolheu.

7. Faça a calendarização para as adubações ao longo do ano

As necessidades da relva em termos de nutrientes variam ao longo do ano. Não se esqueça disso quando programar as suas adubações. Se puder, opte por soluções de adubos de libertação lenta ou controlada, que possuem intervalos típicos de 8 a 12 semanas e tornam assim a gestão das fertilizações mais fáceis, além de que evitam os picos de azoto, que funcionam para as plantas como os “picos de açúcar” para nós.

8. Esteja atento aos sintomas de pragas e doenças

Lembre-se que os tratamentos no seu relvado devem ser de natureza curativa, quer por razões económicas, quer por razões ecológicas. Por isso, esteja atento tanto aos sintomas (manifestação nas plantas de relva do ataque de pragas ou doenças), quer aos sinais (manifestação dos fungos ou da atividade nas pragas sem ser nas plantas, nomeadamente o bolor de alguns fungos o os pássaros a comerem na relva larvas de escaravelho ou lagartas.

9. Tenha em con ta todos os utilizadores do seu relvado

Se tem cães não se esqueça dos nossos conselhos para uma convivência mais fácil dos diferentes elementos da sua família.

10. Disfrute do seu relvado

Lembre-se que instalou o seu relvado para melhorar a sua qualidade de vida e da sua família por isso não deixe de disfrutar do seu relvado. As placas de «Não pise a relva» são de outra era. Os relvados são para ser utilizados, caso contrário não vale a pena instalá-los.

Texto: Ana Caldeira Cabral (engenheira agrónoma)

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