Reorganizar para renascer por entre as cinzas

Mercúrio retrógrado em Virgem de 30 de Agosto a 22 de Setembro: Agosto foi um mês com energias essencialmente em Fogo e em Terra, com ausência de planetas em Ar e apenas Neptuno e Quíron em signo do elemento Água.

Agosto foi um mês com energias essencialmente em Fogo e em Terra, com ausência de planetas em Ar e apenas Neptuno e Quíron em signo do elemento Água. O Fogo e a Terra vibram em níveis de energia muito diferentes e opostos na sua subtileza. Mas esta diferença nas suas formas de expressão não reduz a importância de um em detrimento do outro, até porque “Tudo o que existe no Universo é uma manifestação de Energia” (Lei do TAO). O Fogo simboliza a energia criativa, elemento de activação, é um princípio alquímico. O elemento Terra é apenas e tão somente a última forma de expressão desta energia criativa, a sua manifestação num elemento mais denso, onde se consegue a sua condensação e materialização. O fogo, por ser a Origem de tudo, a Consciência, é a energia que nunca se perde, apenas muda de forma, porque ele representa este principio criativo por excelência. Por isso, de tempos a tempos, as formas morrem para que níveis mais subtis e criativos de expressão possam surgir... em novas formas. Assim como acontece com a libertação da nossa Alma aquando da morte do nosso corpo físico e regressa ao Espirito (Fogo). E isto assemelha-se ao processo de Renascimento representado pela Phóenix. O Fogo que consome o "corpo" (a forma), que se transforma em cinzas para daí renascer em uma nova forma de vida. Quando não conseguimos estabelecer uma relação equilibrada entre estes dois planos, podemos ficar demasiado presos às formas e limitados às suas expressões no plano físico, e que se manifesta vulgarmente pelo medo da perda ou medo da morte (o elemento Terra), criando resistência a este processo de transmutação. Ou então, demasiado irrealistas, com uma dispersão de energia sem capacidade de contenção. Quando a nossa relação com estes dois princípios acontece de forma desequilibrada, transitamos de um oposto para o outro de forma extremista, ora demasiado contidos, ora demasiado ígneos, com dificuldade em introduzir mudanças progressivas nas nossas "formas" de vida. E se voltarmos à análise astrológica, este foi sem dúvida um mês com fortes quadraturas entre Virgem (Terra) e Sagitário (Fogo), mas com a particularidade de que, por altura do início deste “Inferno na terra” que foram os incêndios, Marte já transitava este último signo de fogo (ingresso a 2 de Agosto) e, como já foi referido, abundavam as energias nestes 2 elementos. Como regente do signo de Escorpião, Marte representa o princípio que activa o processo de destruição das formas, enquanto que Plutão (co—regente de Escorpião) assume a função de regeneração necessária ao processo de renascimento. Quando vivemos estas energias a partir do Coração, em Amor, estes são verdadeiros processos alquímicos que permitem uma enorme libertação de energia e que catapultam o indivíduo para níveis mais refinados de Consciência. Quando vivemos estas energias a partir do plexo solar ou da nossa natureza inferior, tanto as energias de Marte como de Plutão, tornam—se destrutivas e muito frequentemente expressas através das cíclicas crises vividas pela Humanidade. Aí temos o fogo que queima ao invés do fogo que vivifica. Ambos libertam energia, no entanto, o primeiro propaga-se de forma descontrolada, o segundo consome apenas as impurezas de forma a eliminá-las e a purificar a matéria. Ao transitar por Sagitário, um signo de Fogo, Marte activa este processo através deste elemento, e que simbolicamente podemos associar ao fogo físico (extremamente expansivo e com dificuldades de ser circunscrito). Neptuno em Peixes em aspecto difícil com os planetas que transitam estes dois signos (Virgem e Sagitário) acrescenta o caos, o desespero e a confusão (temática que tem vindo a ser desenvolvida em outros artigos desde que Neptuno e Saturno formaram quadratura entre si), sendo muito difícil definir limites a esta expressão ígnea e de conseguir uma actuação atempada e organizada. Este caos e estas confusões neptunianas representam as emoções, o elemento Água, onde se depositam todos os desejos da nossa personalidade e do colectivo, os mais e os menos refinados. São esses desejos e emoções que alimentam o nosso “Fogo” (a nossa vontade), e que será aquele vivifica e cria ou aquele que incendeia e destrói. Sem dúvida que este foi um mês durante o qual o Fogo lavrou a Terra, e apenas me proponho a rever estes acontecimentos para que deles possamos retirar algum valor acrescentado através da sua interpretação astrológica, sem apenas os considerar infortúnios de um Verão quente e consequência de poucas medidas de prevenção. Um grande azar com muitos danos, alguns deles, irreparáveis. O que se pretende com esta leitura astrológica é compreendermos a Lei da Correspondência... Estas correspondências reflectem toda a condição humana, os seus desejos, anseios e bloqueios, que se expressa através de todas estas circunstâncias, porque mesmo que não tenhamos sido directamente afectados por elas, a dor e o sofrimento produzido através delas pretende uma reflexão por parte de toda a humanidade acerca destas temáticas. E isto não significa que não sejam tomadas medidas e apuradas responsabilidades, mas podemos ir um pouco mais além na compreensão dos acontecimentos.

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