O que (ainda) pode fazer para voltar a ser feliz a dois

A rotina e o passar do tempo afastou o casal? Aprenda a analisar a sua relação para identificar as peças que permitem construir um casamento saudável.

Projetos de vida, compatibilidade psicológica, atração sexual, ciclos de vida, compromisso e capacidade de lidar com diferenças. Estas são as seis dimensões do casamento que, segundo Luiz Hanns, psicólogo, permitem desvendar as fortalezas e as fraquezas de uma relação. Juntas compõem uma equação, a partir da qual se podem apurar os «ajustes de desejos que cada um tem de fazer», refere.

«Consigo e também com o seu companheiro», sublinha. A isso, junta a necessidade premente de «aprender novas competências para lidar com os desafios de estar casado hoje em dia», explica o psicólogo e psicanalista que esteve em Portugal para o lançamento do seu livro «A Equação do Casamento», publicado pela editora Vogais.

Parar para analisarmos a nossa relação pode trazer-nos mais felicidade ou, por outro lado, consciencializar-nos para a nossa insatisfação? 

Regra geral, quem está satisfeito com a relação quer apenas prevenir e aperfeiçoá-la. É muito raro que alguém que se sinta plenamente satisfeito, ao entrar em contacto com esta equação, perceba subitamente que está insatisfeito. Por outro lado, se há uma insatisfação latente, esta análise pode ser útil e acelerar a perceção de que algo não está bem, que pode ser abordado e talvez corrigido, antes que a relação se torne insustentável.

Qual a importância de fazer esta análise?

Há mais de 40 anos que têm sido realizadas pesquisas sobre casamento e que comprovam a eficácia da prevenção. Alguns casais optam por, antes de se casarem ou no início de uma crise, analisar a sua relação e identificar áreas deficitárias e reforçar fortalezas.

Para tal, é fundamental desenvolver as competências de convívio a dois, isto é, a capacidade de lidar com divergências, a etiqueta de casamento e, acima de tudo, trabalhar na conexão emocional. Normalmente, entre uma a seis sessões focadas nas competências necessárias para um bom convívio a dois, se realizadas antes do casamento, contribuem, em muito, para a diminuição da taxa de divórcios e de insatisfação.

Tais competências também podem ser ensinadas logo ao início das primeiras crises e contribuem em muito para a sua resolução mas, infelizmente, em média, os casais recorrem a terapia seis anos após esta ter começado, quando já há um grande desgaste. Ainda assim, aprender as habilidades necessárias para conviver a dois tem grande efeito.

A equação altera-se ao longo da relação?

A alteração é constante. É importante que o casal tenha competência para fazer permanentemente ajustes no casamento, de forma natural, no quotidiano. Isto permite que, em conjunto, consigam corrigir problemas. A equação é constituída por fatores cujos pesos vão variando.

Um deles é a convergência dos projetos em comum, como os valores e interesses, e o outro é a atração sexual. Por exemplo, é possível que, ao longo do tempo, para um dos parceiros, a questão dos projetos pessoais venha a adquirir um peso maior que a atração sexual, que, não deixando de ser importante, pode não ter o mesmo valor que teve numa outra fase de vida e, para um outro cônjuge, pode ser o inverso.

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