Os melhores destinos para emigrar

O que diferencia os países de emigração que seduzem cada vez mais portugueses

São mais de 70.000 os portugueses que, seguindo ou não os conselhos do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, deixam o país anualmente.

Procuram trabalho e melhor nível de vida.

Rumam com destino a Angola, Brasil, Suíça e Reino Unido e alguns nunca mais regressam. Saiba o que por lá encontram.

«A emigração é decerto um mal, porque aqueles que se oferecem mostram ser, por essa resolução, os mais enérgicos e os mais rijamente decididos. (…) porque a emigração entre nós, não é, como em toda a parte, a transbordação de uma população que sobra, é a fuga de uma população que sofre». Era assim que eça de Queirós via a emigração portuguesa em 1871, data em que escreveu uma crónica sobre o tema em «As Farpas».

É assim que ainda hoje muitos portugueses veem a saída de milhares de compatriotas, que aumenta consideravelmente em períodos de recessão económica. Emigrar é hoje, para muitos, o caminho a seguir. desempregados e sobretudo jovens, recém-licenciados e até menos qualificados veem na diáspora a melhor forma de escapar à elevada taxa de desemprego (15,7% na população em geral e 35% nos jovens) mas também a oportunidade de arriscar em busca de um futuro mais próspero.

«Portugal é, sempre foi e será, um país de entradas e saídas, e mesmo nos períodos económicos mais promissores, o fluxo de saídas nunca desapareceu», refere a propósito João Peixoto, sociólogo investigador do Socius-Centro de Investigação em Sociologia económica e das organizações do Instituto superior de Gestão e Economia (ISEG). No estudo «regresso da emigração portuguesa», publicado em 2010, Álvaro Santos Pereira, atual ministro da economia, revelava que, nos primeiros 10 anos do novo milénio, saíram de portugal cerca de 700.000 portugueses.

Isso dá uma média de mais ou menos 70.000 por ano. E, segundo declarações do secretário de estado das comunidades portuguesas, José Cesário, terão saído de Portugal entre 100.000 e 120.000 portugueses em 2011. Estes números mostram o regresso de uma nova vaga de emigração, com níveis idênticos às dos anos das décadas de 1960 e 1970.

Maria Beatriz Rocha-Trindade, investigadora do Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais (CEMRI) da Universidade Aberta, sublinha, contudo, que esta nova fase nada tem a ver com as anteriores, pois as facilidades de transporte, de acesso à informação e na procura de emprego e casa são hoje muito maiores. Alerta ainda para o facto de muita desta emigração não ser apenas motivada por razões económicas mas por ambição, de quem procura um nível de vida mais satisfatório e promissor.

Embora, como nos explicou João Peixoto, a informação estatística sobre emigração seja muito escassa e difusa, uma coisa é certa. Os destinos que mais atraem os portugueses são aqueles onde ainda há oportunidades de emprego, sobretudo qualificado. A Europa, apesar da crise, continua a ser o destino favorito mas as preferências mudam conforme as necessidades de mão de obra.

Alemanha e Reino Unido são os dois outros destinos europeus mais procurados, com 90.000 (2010) e 83.000 (2010), respetivamente. Fora do velho continente, o Brasil acumulava 213.000, em 2000 (número bastante desatualizado nos dias que correm) os Estados Unidos da América, cerca de 192.000 (2010), o Canadá 150.000 (2006) e Angola 75.000 (2009). Em termos de fluxos de saídas, nos últimos anos, houve alguma inversão nos países habitualmente procurados pelos portugueses.

«Angola e Brasil são talvez os maiores destinos para os emigrantes nacionais mas os vistos de trabalho não nos deixam perceber se são temporários ou permanentes. Estes são destinos mais promissores para trabalhadores qualificados, ao contrário da Suíça, Alemanha e França, que atraem profissões menos qualificadas. Na Europa, a exceção vai para o Reino Unido, que sempre atraiu grande fluxo de «cérebros» nacionais», explica João Peixoto.

Texto: Helena C. Peralta com João Peixoto (sociólogo e investigador do ISEG e membro do Conselho Científico do Observatório da Emigração) e Maria Beatriz Rocha-Trindade (professora catedrática e investigadora do Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais da Universidade Aberta)

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