Mulheres são as principais vítimas de tráfico de seres humanos

Comissão Europeia adota novas medidas para combater a escravatura dos tempos modernos

As mulheres e as raparigas são as principais vítimas do tráfico de seres humanos, revela a Comissão Europeia (CE), que hoje adota 40 novas medidas para combater a escravatura dos tempos modernos. Segundo a CE, entre 2008 e 2010, as mulheres representavam 79 % das vítimas (dos quais 12% eram raparigas) e as vítimas homens representavam 21% (dos quais 3 % eram rapazes).

A Comissão adota hoje a Estratégia da União Europeia para a erradicação do tráfico de seres humanos (2012-2016), um conjunto de medidas concretas e práticas que serão implementadas ao longo dos próximos cinco anos. Estas incluem o estabelecimento de unidades nacionais responsáveis pela aplicação da lei especializadas no domínio do tráfico de seres humanos e a criação de equipas de investigação conjunta a nível europeu com o objetivo de julgar e condenar os casos de tráfico transfronteiriço. Outra medida passa pelo apoio a projetos de investigação sobre a Internet e as redes sociais, pois são consideradas ferramentas de recrutamento cada vez mais utilizadas pelos traficantes.

«Infelizmente, a escravatura não é algo que existiu apenas no passado. É revoltante verificar que nos dias de hoje ainda existem seres humanos que são vendidos e traficados para o trabalho forçado ou para a prostituição. Está no cerne das nossas ações assegurar que as vítimas podem obter apoio e que os traficantes sejam levados à justiça. Ainda estamos longe desse objetivo, mas a nossa meta é só uma: erradicar o tráfico de seres humanos», declarou a comissária para os Assuntos Internos, Cecilia Malmström. Esta estratégia irá agora ser debatida pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho.

Todos os anos, centenas de milhares de pessoas são vítimas do tráfico de seres humanos na UE. Homens e mulheres, rapazes e raparigas em situação vulnerável são traficados para efeitos de exploração sexual ou laboral, remoção de órgãos, mendicidade, servidão doméstica, casamento forçado, adoção ilegal, bem como outras formas de exploração.

Segundo a CE, dados preliminares recolhidos pelos Estados-Membros são coerentes com os previstos por organizações internacionais como o Gabinete das Nações Unidas para a Droga e a Criminalidade, revelando que três quartos das vítimas identificadas nos Estados-Membros da UE são vítimas de tráfico para exploração sexual (76% em 2010). Outras vítimas são forçadas à exploração laboral (14%), à mendicidade (3%) e à servidão doméstica (1%).

Veja AQUI entrevistas com vítimas de tráfico

19 de junho de 2012

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