Emigrar para a Suíça

O país da ordem e da limpeza continua a atrair emigrantes mas quer limitar a entrada de mais portugueses

Dentro do espaço europeu, a Suíça é um dos destinos preferenciais dos portugueses. Segundo as entidades helvéticas, existiam no país, em abril de 2012, cerca de 236.000 portugueses.

Os portugueses têm boa imagem na Suíça e trabalham essencialmente na hotelaria, restauração, construção civil, indústria manufaturada, serviços de limpeza e agricultura.

A Suíça não pertence à União Europeia mas concede aos imigrantes os mesmos direitos, nomeadamente na isenção de visto para estadias inferiores a três meses. Rute Frazão Marques, 34 anos, é responsável de comunicação e relações públicas na Novartis, em Basileia. Já trabalhava na empresa em portugal quando decidiu candidatar-se a uma vaga na Suíça.

Na altura, partiu sozinha, sem família, apenas com duas gatas na bagagem. Hoje, gosta especialmente da ordem, da limpeza e da pontualidade dos transportes. Mas nem tudo são rosas no país dos relógios e dos chocolates. Por outro lado, a fixação pela ordem leva a muita inflexibilidade, tornando as relações profissionais frias, factuais e sem emoção.

Para ela, a maior vantagem deste local é a financeira. «Poupa-se num mês o que se poupa em Portugal num ano», confessa Rute Frazão Marques. Esta portuguesa também acredita que as oportunidades de emprego são grandes, apesar da Suiça já não ser o El Dorado que atraiu milhões de emigrantes nas décadas de 1960, 1970, 1980 e 1990. Não existe salário mínimo na Suíça mas, sim, diferentes patamares salariais, que variam de cantão para cantão e que têm em conta o elevado custo de vida.

As relações de amizade não são fáceis de estabelecer e a parte social não é muito estimulada pelo elevado preço dos produtos e serviços. «Uma refeição na Suíça, com vinho, nunca fica em menos de 50 francos suíços (41 €)», critica Rute Frazão Marques. O custo de vida é dos mais altos do mundo, refletindo-se sobretudo no preço da habitação e dos transportes. «Na Suiça, tudo é caro», critica mesmo Helder Constantino, filho de emigrantes portugueses que trocaram o Ribatejo pelo país alpino em finais da década de 1970.

Estabelecer-se neste país também não é tarefa fácil. Não é fácil encontrar casa para arrendar nas grandes cidades e as que existem têm um custo elevado. O preço médio nas zonas mais baratas é de 1.116 francos suíços (930 €) e 1.484 francos (1.236 €) para as mais caras. «E, mesmo assim, há casos de pessoas a esperar mais de um ano e meio para conseguir uma casa para arrendar», refere ainda Maria Irene Oliveira, emigrante portuguesa em Genebra.

Texto: Helena C. Peralta com Luis Batista Gonçalves

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