A importância da educação emocional

O estudo epidemiológico da Saúde Mental em Portugal, dá conta de um aumento crescente de casos de perturbação mental, com um quinto da população portuguesa diagnosticada, maioritariamente com perturbações depressivas ou de ansiedade.

A incorreta aprendizagem emocional tem sido apontada com fonte da perturbação mental. Para que as nossas crianças e jovens desenvolvam a sua inteligência emocional, conceito introduzido por Goleman (1995) que reporta à capacidade para reconhecermos, regularmos e transmitirmos as nossas emoções quer connosco próprios, quer no contacto com os outros. Urge que pais, educadores e comunidade escolar adquiram este reportório e que o passem às crianças e jovens.

Vários autores têm defendido a existência de seis emoções primárias: tristeza, zanga, medo, nojo, surpresa e alegria. A classificação como primárias relaciona-se com o facto de serem universais, inatas, intensas, passageiras, desencadeadas por estímulos (internos ou externos) e por produzirem reações fisiológicas distintas que servem como meio de comunicação e são cruciais à sobrevivência. As emoções não são boas nem más, nem positivas ou negativas. Podem ser agradáveis ou desagradáveis, mas são todas adaptativas quando expressadas face ao contexto adequado. Compreender os propósitos e as funções das emoções é então essencial.

No quadro seguinte encontram-se resumidamente as funções adaptativas e expressões fisiológicas das seis emoções primárias.

EMOÇÃO PRIMÁRIA EXPRESSÃO

ADAPTATIVA

EXPRESSÃO FISIOLÓGICA
TRISTEZA Recolher-se e/ou procurar apoio face à perda Choro, sensação de frio nos membros e de pouca energia.
ZANGA Defender-se do ataque a si próprio, pessoas queridas ou bens Aceleramento cardíaco com sangue a afluir para os membros superiores, em especial as mãos para permitir a defesa
MEDO Bloquear, fugir ou lutar numa situação de perigo Empalidecimento da face, aceleramento cardíaco e fluxo hormonal que coloca o corpo em estado de alerta
NOJO Evitar ou afastar pessoa ou objeto sujo, indigesto ou ofensivo Maior ativação no olfato, paladar e aparelho digestivo
SURPRESA Explorar uma nova atividade ou situação As sobrancelhas arqueiam-se alargando o campo visual por forma a melhor compreender o acontecimento inesperado
ALEGRIA Comunicar a conquista de algo desejado ou prazeroso Sorriso, aumento da frequência cardíaca e da temperatura em todo o corpo e, que parece “ganhar vida”

Todas têm um propósito útil. Se forem negadas, suprimidas ou distorcidas, terão um efeito desastroso a curto ou a longo prazo sobre nós e sobre aqueles que nos rodeiam. A tristeza ou a raiva não processada adequadamente pode levar a uma depressão. Sentir tristeza é natural, faz parte da nossa biologia, a depressão é patologia. O mesmo acontece com o medo, se o negarmos corremos o risco de sofrermos de alguma perturbação de ansiedade.

Pais e educadores após dominarem o reportório emocional conseguirão dar espaço à manifestação das emoções das suas crianças no contexto adequado e poderão desenvolvê-las através de jogos, mímica, desenhos e outras actividades lúdicas.

Apostar na Inteligência Emocional das nossas crianças e jovens terá impacto positivo, ao permitir-lhes controlar melhor os seus impulsos, aumentar a sua autoestima, autoconfiança e assertividade, desenvolver a sua empatia e prevenir a existência de perturbação mental.

Catarina Barra Vaz

Especialista em psicologia clínica e da saúde e em psicologia educacional,

Psinove – Inovamos a Psicologia

www.psinove.com

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