Técnicas de reconstrução mamária após mastectomia

Ter de remover a totalidade ou parte do seio é um calvário para qualquer mulher. Conheça as soluções cirúrgicas que permitem reconstruir o peito depois da cirurgia para travar o cancro da mama

São várias as técnicas de reconstrução mamária utilizadas após uma mastectomia total ou parcial. Segundo a obra «34 Copa B - Guia prático sobre a mama, a saúde e a sexualidade feminina», da autoria de Ana Paula Avillez, médica imagiologista especialista em senologia, a sua «indicação vai depender de diversos fatores, entre os quais se contam os tecidos a remover, a vitalidade de tecidos locais, as necessidades de radioterapia, as condições gerais ou o desejo e estilo de vida da doente».

Geralmente as soluções cirúrgicas existentes envolvem a aplicação de implantes, tecidos autólogos (retalhos pediculados e retalhos livres) ou a combinação de técnicas. Fique a conhecê-las mais ao pormenor de seguida:

- Implantes mamários

São dispositivos médicos que podem colocar-se sob a pele ou sob o músculo e que permitem restabelecer a forma mamária. Muitas das vezes, o implante, vulgarmente conhecido por prótese, deve ser precedido da colocação de um expansor para promover o crescimento local dos tecidos para que possam acomodar uma prótese definitiva com o volume e forma adequados.

O expansor é um dispositivo constituído por um invólucro elástico (tipo balão) conectado a uma válvula na qual se injecta soro fisiológico ao longo de várias semanas, de forma a promover o crescimento dos tecidos locais. Após o processo de expansão adequado procede-se, noutra intervenção cirúrgica, à sua substituição pela prótese. Essa substituição normalmente pode ter lugar cerca de seis meses após a intervenção inicial.

A prótese é habitualmente cheia de gel coesivo ou soro fisiológico. A colocação de um implante não deve ser considerada uma cirurgia definitiva pois muitas vezes requer revisão cirúrgica ao longo da vida, sobretudo em mulheres jovens. A reconstrução mamária com implantes pode apresentar resultados muito favoráveis e com intervenções cirúrgicas relativamente curtas.

No entanto, o processo de expansão é relativamente demorado, a consistência da mama reconstruída é sempre mais dura do que a contralateral e a sua temperatura habitualmente mais fria. O seu sucesso exige uma pele local em boas condições. Se a radioterapia for necessária, antecipadamente são considerados com alguma reserva uma vez que aumenta a taxa de complicações. A maioria dos cirurgiões recomenda a reconstrução com retalhos associada à radioterapia.

- Tecidos autólogos

Os retalhos são porções de tecidos vascularizados que se transpõem cirurgicamente de um local para o outro. No caso da reconstrução mamária esses tecidos são musculares e cutâneos (técnicas mais antigas) ou apenas cutâneos com o tecido celular subcutâneo (técnicas mais recentes). Esses retalhos podem ser executados sem secção do pedículo vascular ou com secção do pedículo vascular (artéria e veia) que depois se restabelece por microcirurgia no local para onde os tecidos são necessários (no caso da mama no local habitual desta).

A estes últimos retalhos chamam-se retalhos livres e envolvem equipas cirúrgicas especialmente treinadas para o efeito. Os retalhos mais frequentemente utilizados podem agrupar-se da seguinte forma (as notações originais encontram-se em inglês de forma a respeitar a ordem habitual das siglas):

- Grande dorsal
- TDAP (ThoracoDorsal Artery Perforator flap)
- TRAM (Transverse Rectus Abdominus Myocutaneous flap)
- DIEAP (Deep Inferior Epigastric Artery Perforator flap)
- GAP (Gluteal Artery Perforator flap)
- IGAP (Inferior Gluteal Artery Perforator flap)
- SGAP (Superior Gluteal Artery Perforator flap)
- SIEA (Superfi cial Inferior Epigastric Artery flap)

Veja na página seguinte: O que determina a escolha dos retalhos

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