Sono e ritmo biológico

Como adormecemos? E por que são os horários do sono tão importantes? As respostas de um neurologista

Relógio biológico. Com certeza já ouviu falar dele, mas talvez pense que se trata apenas de uma figura de estilo.

Se é este o seu caso, desengane-se: o relógio biológico não só existe, como corresponde a áreas específicas do cérebro e está directamente relacionado com o sono, bem como com todas as outras funções corporais.

Em conversa com o neurologista Ângelo Soares, autor da obra «O sono – efeitos da sua privação sobre as doenças orgânicas», ficámos a saber como este mecanismo funciona e como factores como a luz e o ruído afectam a qualidade do sono.

O «relógio biológico» corresponde a uma função específica do cérebro?

Sim, é regulado por duas pequenas estruturas ou núcleos do tamanho de cabeças de alfinete que estão situadas sobre o hipotálamo, uma zona na base do cérebro, por baixo do cruzamento dos dois nervos ópticos – o quiasma óptico. Em cada um desses núcleos há cerca de 20 neurónios que regulam o funcionamento de todo o organismo.

Do batimento cardíaco aos movimentos respiratórios, passando pela função urinária, tensão arterial e temperatura intra-cerebral e do corpo, tudo é ali regulado e acertado pelo relógio biológico, segundo a sucessão dos ciclos circadianos. São criados ciclos iguais, com a duração de cerca de 24 horas – é o chamado ciclo circadiano («circa» cerca de, e «diano» de um dia).

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