Os passos da Carolina

Testemunho real de uma menina que sonha um dia poder andar

Paralisia cerebral do tipo espástico. Ninguém pensa neste nome até que o diagnóstico lhe bate à porta. Foi o que aconteceu a Carolina Lucas, nascida às 29 semanas de gestação. O nascimento prematuro, além de ter sido determinante para a sua condição, originou sequelas motoras, ainda que o seu desenvolvimento cognitivo seja absolutamente normal. Esta menina corajosa tem óptimas notas, imensas actividades extracurriculares e desloca-se regularmente a Cuba para se submeter a alguns tratamentos. Passos importantes para quem um dia sonha deixar a cadeira de rodas e andar pelo próprio pé.

Carolina é uma menina como tantas outras, mas no alto dos seus (apenas) sete anos já conta com uma experiência de vida e uma coragem invulgares. A Carolina não caminha, desloca-se em cadeira de rodas e tem dificuldades nos membros superiores (especialmente o esquerdo), na motricidade fina.

“De facto, a minha sobrinha não corre nem anda de forma autónoma. Desloca-se numa cadeira de rodas eléctrica que lhe permite ter alguma autonomia no seu dia-a-dia, sobretudo na escola. Precisa também de ajuda em algumas tarefas simples, como por exemplo vestir-se”, explica Carla Brito, tia desta menina de olhar meigo.

A nível psicológico, Carolina é uma criança perfeitamente normal. “Aliás, é bastante inteligente e astuta”, acrescenta Carla Brito.

O dia-a-dia de qualquer cidadão com necessidades especiais que se desloque numa cadeira de rodas é inacreditavelmente difícil. Bastava experimentarmos sair à rua numa cadeira de rodas para nos pormos na pele de todos aqueles que têm de se deslocar através deste meio para que começássemos a perceber, de facto, a aventura e as dificuldades que sentem as pessoas com mobilidade reduzida.

“Como as ajudas técnicas tardam e a maior parte das vezes não chegam, vemo-nos obrigados a 'inventar' soluções, já que o equipamento adequado é excessivamente caro. Contudo, tentamos sempre ultrapassar todas as situações e fazer a Carolina sentir que é capaz de (quase) tudo, ainda que de vez em quando necessite de uma ajudinha”, acrescenta a tia.

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