O que é a perturbação de stress pós-traumático e como pode ser tratada?

A Perturbação de Stress Pós-Traumático (PTSD) é uma doença mental enquadrável nas Perturbações de Ansiedade. As explicações são dos médicos psiquiatras Margarida Albuquerque, Miguel Costa e Pedro Cintra, do Departamento de Saúde Mental do Hospital de Cascais.
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A Perturbação de Stress Pós-Traumático caracteriza-se por pensamentos intrusivos, pesadelos ou flashbacks de um evento traumático passado, evitamento de estímulos que despoletem memórias associadas ao evento traumático, estado de hipervigilância e alterações do sono. No conjunto esta perturbação causa sofrimento considerável e disfunção social, profissional e interpessoal.

A associação entre alterações psicológicas e eventos traumáticos é reconhecida há mais de 200 anos, desde a guerra civil americana, e foi inclusivamente referenciada pelos primeiros escritores psicanalíticos.

Despertaram interesse considerável na literatura científica os termos battle fatigue, shell shock, soldier’s heart, por exemplo. Foi possível acumular conhecimento sobre a associação entre acontecimentos traumáticos e alterações psicopatológicas em vítimas da Primeira e Segunda Guerra Mundial, Holocausto, desastres naturais, violações, assalto e terrorismo. Saliente-se o caso particular do ataque terrorista do 11 de Setembro nos Estados Unidos de América , no qual foi possível adquirir um grande volume de informação sobre esta entidade.

No entanto a PTSD propriamente dita, foi pela primeira vez reconhecida na literatura médica  em 1980 no Manual Americano de Diagnóstico e Estatística de Doenças Mentais, Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM). Posteriormente, na DSM-IV-TR (1994), especifica-se que muitas pessoas desenvolvem alterações psicopatológicas imediatamente após o trauma, com risco de PTSD.

A definição inicial desta patologia incluía um menor número de sintomas que a atual, sem critério de duração. A principal alteração na DSM-IV-TR foi a eliminação do critério “experiência fora do normal”, uma vez que a maior parte dos estudos sugere que a perturbação podia surgir após eventos comuns.

Em termos epidemiológicos, após exposição recente a um evento adverso, é frequente o desenvolvimento de uma entidade relacionada — Perturbação do Stress Agudo (PSA). A evolução de PSA para PTSD varia dependendo da população e da comunidade. A prevalência vital é estimada em 8% da população, podendo a percentagem ser superior considerando as formas de apresentação subclínicas.

Causas

Há poucos dados relativamente às causas fisiopatológicas, sendo que os estudos que existem em famílias demonstram que em familiares de veteranos da I e II Guerra Mundial têm maior incidência, existe maior risco em descendentes e em famílias com predisposição para perturbação da ansiedade e perturbação depressiva. Por outro lado verifica-se uma reduzida associação a causas genéticas, com valores de hereditariedade referidos na literatura de 0,21 a 0,37% em estudos de gémeos veteranos da guerra do Vietname.

Entre as situações que podem despoletar PTSD/PSA encontram-se: testemunhar ou vivenciar situações de morte, ameaça ou risco de vida ou para a integridade física (incluindo acidentes, desastres naturais, crime violento, doença grave, internamento em cuidados intensivos, combate militar, abusos/maus tractos físicos e sexuais, assalto ou violação).

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