Música que acalma e canções que curam

Cantar, dançar ou simplesmente ouvir temas musicais pode fazer muito pela sua saúde. Muitos especialistas já recorrem a sons calmos e vibrantes para aliviar a dor e suavizar o sofrimento.

Não é só o seu estado de espírito que é influenciado pelas canções que ouve. Às vezes, a banda sonora da sua vida pode não estar sincronizada. A música não aparece no momento certo, como nos filmes, e sente falta dela. É normal, uma vez que ouvir música faz parte da vida e é uma excelente maneira de comunicar. Um aspeto curioso é que cada vez mais estudos científicos estão a concluir que ouvir música e cantar faz bem à saúde.

Isto sem falar nos benefícios diretos que dançar traz à sua linha. Em França, na unidade de cuidados paliativos do Hospital Sainte-Périne, em Paris, as canções de Édith Piaf são usadas para acalmar os doentes. Gérard Mick, neurologista e neurobiologista no Hospital de Voiron, em Isère, também recorre à música para reduzir a sensação de dor em pacientes. Nos últimos anos, a tendência tem vindo a aumentar.

Ritmo terapêutico

No Hospital de Chelsea e Westminster, no Reino Unido, há regularmente concertos ao vivo, tendo-se concluído que os doentes que assistem precisam de menos medicamentos e recuperam mais depressa. Citada pela BBC, Rosalia Staricoff, da equipa médica que conduziu o estudo que o atesta, refere que «a música reduz a pressão arterial, a frequência cardíaca e as hormonas relacionadas com o stresse».

Uma outra investigação da Universidade de Oxford, publicada em 2005 pela revista Heart, concluiu que a música calma tem um efeito relaxante, diminuindo a frequência cardíaca e respiratória, enquanto os tempos acelerados produzem um efeito contrário. Um outro estudo da Universidade de Queensland, na Austrália, vai ao pormenor de sugerir música clássica em vez de rock nas salas de operações, o que permite monitorizar melhor as funções vitais do doente.

Se gosta de cantar saiba que ao fazê-lo aumenta a oxigenação do sangue e exercita músculos do tronco. A nível psicológico, provoca uma sensação de bem-estar emocional, que é reforçada se cantar com outras pessoas. «Nas pessoas que sofrem de dor crónica, a escuta regular de música pode abrir verdadeiras janelas de tranquilidade, levando inclusive a alterações comportamentais», defende Gérard Mick.

Terapia dos sons

O interesse da comunidade científica pela música enquanto instrumento terapêutico não é de agora. A musicoterapia, um tipo de psicoterapia cujo instrumento de trabalho é a música e os seus elementos (som, ritmo, harmonia), teve o seu primeiro instituto criado na década de 1940, na Suécia. Segundo a obra «Iniciação às Psicoterapias», de Isabel Leal, este tipo de intervenção é usado em hospitais psiquiátricos para reestabelecer a relação entre pacientes e o pessoal de saúde.

Também já há quem a use na abordagem de crianças autistas, na reeducação de deficiências físicas e sensoriais e no caso de doentes oncológicos e em coma. A musicoterapia pode também ser usada na recuperação de pessoas com problemas de abuso de substâncias, dor crónica e aguda, entre outras situações. Por cá este tipo de terapia também é posta em prática, apesar de ainda não ter o peso que já tem noutros países.

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