Lesões no menisco com novo tratamento à base de células estaminais

Lesões cerebrais e hemoglobinopatias são outras das aplicações que estão a ser estudadas

Os desportos de contacto são os principais potenciadores de lesões dos meniscos, uma rotura da cartilagem que pode, contudo, verificar-se em atividades do dia a dia em qualquer idade.

Este tipo de lesão resulta frequentemente do resultado de um movimento de torção, de um gesto decorrente de uma mudança súbita de direção, de desaceleração ou consequência de um impacto súbito.

Nos Estados Unidos da América, um estudo enaltece as vantagens de um novo tratamento à base de células estaminais. Em Portugal, o professor Hélder Cruz, director-geral da empresa de investigação e desenvolvimento em biotecnologia ECBio e investigador da Cytothera, elogia o procedimento e aponta outras utilizações para este tipo de células que, no futuro, podem vir a tratar casos de lesões cerebrais, esclerose, osteoartrite, enfarte, distrofia muscular, doenças oncológicas, doenças autoimunes, hemoglobinopatias, doenças metabólicas, imunodeficiências, deficiências medulares e até ajudar na cicatrização de feridas.

As principais conclusões de um estudo divulgado pela American Academy of Orthopaedic Surgeons abrem uma nova esperança para o tratamento das lesões no menisco. O que podemos esperar da implementação prática dessas descobertas e como se irá processar?

O estudo divulgado pela American Academy of Orthopaedic Surgeons demonstra que uma única injeção de células estaminais após uma cirurgia pode ajudar a aliviar a dor e acelerar a regeneração do menisco. Na verdade, já diversos estudos comprovam a eficácia da aplicação de células estaminais em problemas na cartilagem e uma das formas mais seguras de garantir uma solução rápida e menos dolorosa, caso aconteça um problema destes no seio familiar, é fazer criopreservação das células estaminais mesenquimais do bebé, pois podem ser utilizadas em familiares diretos sem quaisquer problemas de compatibilidade. A aplicação deste tipo de tratamento pode ser fundamental para acelerar a recuperação e evitar paragens prolongadas de desportistas.

O potencial terapêutico das células estaminais no tratamento de lesões desportivas é apenas uma esperança ou já uma realidade com validação científica em mais do que um estudo científico?

Existem atualmente diversos estudos que comprovam a eficácia da aplicação de células estaminais criopreservadas em problemas na cartilagem, sendo que esta aplicação terapêutica poderá vir a ser uma opção viável para acelerar a recuperação e evitar, por exemplo, paragens prolongadas de atletas ou, até mesmo, o fim da sua carreira. Vários estudos desenvolvidos, que continuam a ser realizados, comprovam que a aplicação de células estaminais mesenquimais criopreservadas neste tipo de problemas favorece a reparação a nível celular e pode acelerar o processo de cicatrização, fortalecer membros e diminuir a dor local.

A forma de recolha e obtenção das células estaminais pode condicionar o êxito do tratamento deste tipo de lesões?

Sim, sem dúvida. Estas células estaminais adultas podem ser retiradas da medula óssea, do sangue periférico ou mesmo da gordura do próprio paciente, mas o processo de colheita é muito invasivo, doloroso e possui um elevado risco de infeção para o dador. Já o processo de recolha das células estaminais provenientes do tecido do cordão umbilical (as mais puras e primitivas células) e, a sua posterior criopreservação, é completamente não invasivo, indolor e não representa qualquer risco, quer para a mãe, quer para o recém-nascido.

Optando por esta última opção, é necessário que os pais tenham em atenção que nem todas as empresas de criopreservação isolam e multiplicam as células na altura da sua recolha, procedimento que permite que as mesmas fiquem imediatamente disponíveis para utilização em caso de necessidade, evitando assim o risco de o isolamento falhar quando as células são necessárias.

O ideal é que os pais optem por fazer a criopreservação das células estaminais do tecido do cordão umbilical numa empresa que realize todo o processo de isolamento e multiplicação das células logo após a recolha, ao invés de apenas recorrerem ao congelamento do cordão. Este congelamento leva a que não seja possível identificar, na altura da recolha, a tipologia de células presente no cordão nem se as mesmas apresentam as condições necessárias para serem multiplicadas e criopreservadas.

Sem esta separação de células, é possível que, na altura necessária à sua utilização, os pais descubram que não existem células saudáveis passíveis de serem aplicadas na regeneração dos seus tecidos e não possam recorrer a esta metodologia. Mesmo quando seja possível o isolamento, o tempo de processamento e cultura em laboratório poderá ser precioso. Devem ser as células que aguardam pela utilização no paciente e não o paciente a aguardar pelas células.

Outro fator essencial na escolha da empresa de criopreservação é a capacidade de investigação das potencialidades das células estaminais para a constituição de uma terapêutica efetiva, de um medicamento. Na ECBio, patenteámos uma tecnologia de isolamento e de criopreservação das células do tecido do cordão umbilical, designada por células UCX. O nosso objetivo é desenvolver métodos e novas soluções terapêuticas com células estaminais, que permitam diminuir o tempo entre a descoberta e a sua aplicação clínica.

Ao fazer a criopreservação das células estaminais do sangue e do tecido na Cytothera, o único banco privado que utiliza a nossa tecnologia patenteada, os pais estão a garantir o acesso futuro a todos os avanços científicos e tratamentos desenvolvidos com a nossa metodologia e que vão, com certeza, ser uma opção viável na minimização de danos futuros na saúde de toda a família.

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