Imunoterapia, um novo paradigma no tratamento do cancro

Por Maria José Passos, Médica Oncologista do Instituto Português de Oncologia de Lisboa
A Imunoterapia ou Bioterapia, pode ser definida, como o tipo de tratamento, que utiliza agentes biológicos que estimulam o sistema imunitário e o ajudam a corrigir os mecanismos de defesa alterados, em caso de doença.



Este conceito aplica-se a qualquer tipo de agressão e já é conhecida há muitos anos. A Imunoterapia tem sido utilizada por exemplo, no tratamento de doenças alérgicas, como a rinite alérgica e a asma brônquica.



O sistema imunitário possui células especializadas capazes de produzir dois tipos de proteínas: os anticorpos e citocinas. Os anticorpos ou imunoglobulinas são glicoproteínas produzidas pelos linfócitos B para neutralizar e eliminar o antigénio que levou à sua produção. A imunoglobulina E, por exemplo, está presente na circulação sanguínea e está implicada nas reações alérgicas e nos sistemas de defesa, contra infeções e ataques virais.



Por outro lado, os antineoplásicos que levam à destruição de células malignas atuam de forma indireta, sobre o sistema imunitário, estimulando os linfócitos T, as células NK (natural killer) e os linfócitos B.



Mais recentemente, graças aos avanços das Ciências Básicas, surgiram novos fármacos que utilizam mecanismos imunológicos inovadores, para tratar vários tipos de cancro: mama, Linfomas, rim, melanoma avançado.



Surgiu assim o conceito de Imuno-oncologia, com utilização de várias vacinas anti tumorais (embora com pouco êxito na clínica) e mais recentemente o aparecimento dos anticorpos monoclonais, muito usados em várias patologias oncológicas e com eficácia clínica comprovada.

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